A lição de Santa Giovana Antida Thouret aos católicos de hoje



Sim Sim, Não Não 31 de março de 2022


É janeiro de 1797. Do Instituto de São Vicente de Paulo não resta nada: a Revolução destruiu a Igreja francesa, mas não a fé. No entanto, as freiras estão dispersas por toda a França.


Irmã Giovanna Antida Thouret (1765-1826), noviça das Filhas da Caridade em Paris, primeiro retornou à sua cidade natal, Sancey-le-Long, em Franche-Comté, e de lá foi forçada a fugir, primeiro para a Suíça e depois para a Baviera, seguindo as freiras do Retiro Cristão (ao qual pertencia sua irmã Giovanna Barbara) e seu fundador, o Padre Receiveur.


Agora em Wiesent, Baviera, Giovanna Barbara morreu em 23 de dezembro de 1797 e a alma de Giovanna Antida cai em desânimo. Apesar de tudo, ela deseja ser uma Filha da Caridade. Ela abre seu coração ao confessor, padre Giovanni, e ele entende que a vocação de sua penitente a chama para outro lugar e a aconselha a sair sem esperar pelo Padre Receiveur.


"Mas como a antiga Filha de São Vicente de Paulo conseguiu retornar ao seu estado anterior? Padre Giovanni não sabia nada sobre isso, e ela ainda menos; Deus teria pensado nisso. Em circunstâncias tão difíceis, era conveniente seguir apenas os chamados da fé" [1].


Irmã Thouret parte na segunda-feira de Quasimodo de 1797. Ela deixa esta nota para a Superiora: "Deixo-te ir e cumprir a Vontade de Deus". Mas como isso vai se materializar é absolutamente desconhecido para ela.


Vestida como uma humilde camponesa, com a cabeça coberta por um lenço, sem dinheiro, nem passaporte, sem saber a língua, ela parte: tem apenas seu anjo da guarda por companhia. E ele a guia em uma jornada em que ela encontrará, no momento certo, quem a Providência decidiu que ela deveria encontrar, dia após dia. Ela retornará à França, mas ainda terá que esperar longos meses escondida em Sancey-le-Long: somente em fevereiro de 1799 o padre De Chaffoy, encontrado durante a aventureira viagem da Baviera, a chamará a Besançon para fundar finalmente um instituto de educação da juventude e para a assistência aos pobres doentes. Serão as Irmãs de Caridade de Besançon, apelidadas pelo povo de freiras da sopa e das pequenas escolas.


Em poucos anos o instituto floresceu e foram abertas casas não só na França, mas também na Suíça e na Itália. Este vem a ser aprovado pelo Papa Pio VII em 1819, com isenção da jurisdição episcopal.


Precisamente esta é a causa de um conflito muito duro com o arcebispo de Besançon, Mons. Gabriel Cortois de Pressigny, e com o próprio Arcebispo De Chaffoy: a verdadeira razão de tudo isso está no galicanismo de ambos, que digerem mal o ditame romano. Madre Thouret implora ao arcebispo, recebe apoio de Pio VII que a recebe com grande benevolência mas, enquanto na Itália, em Besançon, é deposta em abril de 1820, e com ela seus ex-assessores. É um golpe. Qualquer tentativa de pacificação é em vão: a Santa é afastada do instituto que fundou e condenada a não comparecer em nenhuma casa da diocese de Besançon. A oposição do arcebispo e Mons. De Chaffoy para com a Madre Thouret é invencível e o apoio do Núncio em Paris não vale nada. Ela segue suas recomendações e volta para a Itália, para Nápoles.


Aqui, com o coração sangrando, mas toda de Deus, ela continua seu trabalho no mosteiro Regina Coeli e no Hospital dos Incuráveis, um trabalho que lhe valeu a admiração do povo napolitano. A tal ponto que Santa Giovanna Antida Thouret é uma das 52 padroeiras de Nápoles. Pouco importa aos santos se a reforma litúrgica de Paulo VI os suprimiu, deixando apenas 3...


Madre Thouret morreu em Nápoles em 24 de agosto de 1826: seu corpo está exposto para a veneração dos fiéis na Igreja de Santa Maria Regina Coeli, no bairro Della Vittoria, em Nápoles.


O que Santa Joana Antida Thouret ensina aos cristãos hoje? Antes de tudo, a entrega total a Deus. Em sua vida ela seguiu a vontade de Deus em todos os momentos, mesmo contra a prudência humana. Aquela camponesa, resoluta e com um olhar penetrante, buscava somente a Deus e nada colocava diante dele.


Por isso, não tememos se a terra treme, se os montes desabam no fundo do mar (Sl 46, 3). Eis a figura da vida de Santa Joana Antide: ela executou a obra de Deus apesar da Revolução, do Terror, da perseguição. Aliás, ainda mais.


Afinal, isso foi feito por todos os santos, desde os Apóstolos. Sem chegar a um acordo com as conveniências e respeitos humanos. Exercendo a prudência, mas a sobrenatural, não aquela que esconde a pusilanimidade sob um véu de sabedoria.


A cada um a tarefa de fazer as devidas comparações, a nível pessoal e espiritual.


Aqui aparecerá nossa nobreza.


Caterina


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[1] Trochu F., Santa Giovanna Antida Thouret, Ancora, 1961, pag.130.