Até que ponto ele chegou

Até que ponto ele chegou

Com a recente publicação da Declaração Doutrinal de Dom Fellay, enviada ao Cardeal Levada aos 15 de abril de 2012, várias observações lhe têm sido feitas, mas há algo que parece que está passando despercebido: é a referência que Dom Fellay faz à profissão de fé de 1989. Com efeito, ele a cita em nota ao nº 2 de sua Declaração, como sendo um documento que diria o modo de aceitar os ensinamentos do Magistério da Igreja. Eis uma passagem dessa profissão de fé: “Dou minha adesão com uma obediência religiosa da vontade e da fé às doutrinas que, seja o Pontífice Romano, seja o colégio dos bispos, pronunciam quando eles exercem o magistério autêntico, mesmo se eles não têm a intenção de os proclamar em um ato definitivo.”[1] Notando-se que essa profissão de fé é precedida por um texto introdutório, que esclarece o sentido que se deve dar à dita profissão. Ora, nessa introdução se lê: “Pareceu indispensável preparar textos adaptados, a fim de os tornar atualizados no que concerne a seu estilo e a seu conteúdo e os colocar de acordo com os ensinamentos do Vaticano II e com os documentos oriundos do mesmo.”[2]

E agora ouçamos Dom Lefebvre que, com seu olhar penetrante, nos dá a devida apreciação desse documento do Cardeal Ratzinger:

“Os erros do Concílio e suas reformas permanecem a norma oficial consagrada pela profissão de fé do Cardeal Ratzinger de março de 1989” (Mgr Lefebvre, Itinéraire spirituel, p. 10-11) [3]

“A nova profissão de fé que foi redigida pelo Cardeal Ratzinger contém explicitamente a aceitação do Concílio e de suas consequências. Foi o Concílio e suas consequências que destruíram a Santa Missa, que destruíram nossa Fé, que destruíram os catecismos e o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo nas sociedades civis. Como podemos aceitá-lo? (…) É necessário guardarmos a Fé católica, protegê-la por todos os meios” (Mgr Lefebvre, Paris, le 23 septembre 1979) [4]

“Isso é colocar-nos em uma contradição, porque ao mesmo tempo que Roma dá à Fraternidade São Pedro, por exemplo, ou à abadia do Barroux e a outros grupos a autorização de celebrar a missa de sempre, ao mesmo tempo pede-se aos novos sacerdotes que assinem uma profissão de fé na qual é necessário admitir o espírito do Concílio. É uma contradição: o espírito do Concílio se exprime na nova missa. Como querer manter a missa de sempre aceitando o espírito que destrói essa missa de sempre? É colocar-se em uma contradição completa. Um dia, aos poucos, se exigirá daqueles aos quais foi concedida a missa de São Pio V, a missa de sempre, se exigirá deles que eles aceitem também a nova missa. E lhes será dito que se trata simplesmente de que eles se conformem ao que eles assinaram, pois que eles assinaram que aceitavam o espírito do Concílio e as reformas do Concílio. Não se pode colocar-se assim em uma contradição, em um ilogismo aberrante. É uma situação inteiramente desconfortável. É isso que faz a dificuldade desses grupos que assinaram isso e que atualmente se encontram em uma espécie de impasse.” (Homilia, Friedrichshafen, 29 de abril de 1990, citado no livro La messe de toujours, p. 428)

O que gostaria, sobretudo, é de sublinhar até que ponto Dom Fellay chegou a ceder, a fim de alcançar o seu intuito: a legalização da Fraternidade São Pio X.

Com ou sem acordo com Roma, o mal já está na cabeça de Dom Fellay. E sua posição está contaminando cada vez mais as mentes dos que confiam nele.

Nossos votos a que todos abram os olhos, não se deixem enganar e se unam aos que resistem a ele em face (cf. Gal. 2, 11-14): ut fideles inveniantur.

Arsenius

[1] J’adhère aussi avec une obéissance religieuse de la volonté et de la foi aux doctrines que, soit le pontife Romain, soit le collège des évêques, prononcent quand ils exercent le magistère authentique, même s’ils n’ont pas l’intention de les proclamer dans un acte définitif.

[2] Il est apparu donc indispensable de préparer des textes adaptés pour les mettre à jour en ce qui concerne leur style et leur contenu et les mettre plus en phase avec les enseignements de Vatican II et des documents qui en étaient issus.

[3] Les erreurs du Concile et ses réformes demeurent la norme officielle consacrée par la profession de foi du Cardinal Ratzinger de mars 1989.

[4] La nouvelle profession de foi qui a été rédigée par le cardinal Ratzinger contient explicitement l’acceptation du Concile et de ses conséquences. C’est le Concile et ses conséquences qui ont détruit la Sainte Messe, qui ont détruit notre Foi, qui ont détruit les catéchismes et le règne de Notre Seigneur Jésus-Christ dans les Sociétés civiles. Comment pouvons-nous l’accepter ! […] Il nous faut garder la Foi catholique, la protéger par tous les moyens.

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