DUAS CONVERSAS IMAGINÁRIAS

DUAS CONVERSAS IMAGINÁRIAS

PRIMEIRA CONVERSA IMAGINÁRIA

Será que está acontecendo isso?

É bem possível…

Dois Cardeais da Cúria Romana passeiam nos jardins do Vaticano e entabulam a seguinte conversa:

Cardeal Ursus Vossa Eminência está sabendo que Williamson voltou a perambular pelo planeta e ultimamente esteve no Brasil e lá fez quase 100 crismas e pregou publicamente várias vezes em diversos lugares desse país enorme?

Cardeal Vulpes: Estou sabendo.

Cardeal Ursus: Esse Williamson tem que ser expulso da Fraternidade de Pio!

Cardeal Vulpes: Williamson não pode ser expulso!!!

Cardeal Ursus: Por que não?

Cardeal Vulpes: Porque senão vai começar tudo de novo…

Cardeal Ursus: O que?

Cardeal Vulpes: Sagrações, ordenações, seminários… Voltaremos à estaca zero. Vai-se recomeçar toda a obra do velho Lefebvre.

Cardeal Ursus: Se Williamson fizer isso, todos o considerarão como rebelde e acabará sendo excomungado novamente, e quase ninguém o seguirá nessa tentativa boba de permanecer separado de nós.

Cardeal Vulpes: O problema é que esse povo maldito tem uma admiração estúpida por Lefebvre, e Williamson prova “por A mais B” que ele segue em tudo o que o velho Lefebvre disse.

Cardeal Ursus: Cuidado, Eminência, essa expressão “povo maldito” foi usada pelos fariseus para designar os seguidores de Cristo. Se as pessoas ouvirem isso, podem se escandalizar conosco.

Cardeal Vulpes: Fique tranqüilo, Eminência, quando falo em público meço minhas palavras, e mostro-me como o mais simpático dos homens.

Cardeal Ursus: Realmente Williamson, com seus artigos na internet, vive “fazendo a cabeça” dos que “pararam no tempo”.

Cardeal Vulpes: Essa internet… Infelizmente nossos irmãos mais velhos ainda não têm um controle total desse meio de comunicação…

Cardeal Ursus: Mas uma coisa eu não entendo: desde que Bento XVI começou a ser bispo de Roma, ele manifestou o desejo de regularizar a situação dos tradicionalistas e em especial da Fraternidade de Pio, e agora ele nomeia nosso caríssimo Müller para Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, e todos sabem que ele tem opiniões pessoais que essas cabeças mumificadas não aceitam. Além disso, foram colocadas condições para realizar a regularização que, com toda a evidência, a Fraternidade de Pio não iria aceitar…

Cardeal Vulpes: Bento XVI não quer a incorporação. Por enquanto…

Cardeal Ursus: Explique-se, Eminência.

Cardeal Vulpes: Quando um idiota publicou a troca de cartas dos bispos da Fraternidade de Pio, muitos “cabeças ocas” alarmaram-se, vendo que as coisas estavam quase prontas a se concluir conosco, e começou uma reação em todas as partes. Se continuássemos o processo de regularização, perderíamos muitos deles e teríamos que recomeçar as nossas tentativas de unidade com um grupo, desta vez bem aferrado às desconfianças que o velho Lefebvre tinha para conosco. Pois ele não teve medo em nos chamar de bandidos, de anticristos e ao nosso empreendimento de “manobras da serpente romana”. Por isso, é necessário deixar Fellay amansar essas feras e fazer com que todos tenham confiança nele. Ele trabalha bem. Em breve os recalcitrantes vão ser minoria absoluta e considerados por todos como rebeldes e revolucionários. Isso feito, poderemos ceder a todas exigências retrógradas da Fraternidade de Pio, para efetuar a união, pois enquanto esses homens crêem no princípio de contradição, nós sabemos que isso é uma ilusão de escolásticos: para nós não existe contradição, pois tudo é subjetivo e tudo evolui. Hoje lhes damos tudo; amanhã, aos poucos, à medida que vemos que eles são capazes de aceita-lo, começaremos a exigir deles, cada vez mais, a se conformarem com a nova disposição das coisas na Igreja.

Cardeal Ursus: Mas isso é maquiavélico…

Cardeal Vulpes: Maquiavel era um homem muito capaz…

Cardeal Ursus: Às vezes penso que não vale a pena tantos esforços para conquistar esse grupinho: seu número é tão diminuto…

Cardeal Vulpes: O problema é que “ele” nos instrui que esses poucos homens são empecilho para seu reino.

Cardeal Ursus: Eminência!!!

Cardeal Vulpes: Foi um sonho! Foi um sonho que tive…

Cardeal Ursus: Hum… Mas ouvi falar que Fellay teria dito que ele se enganou e foi enganado por nós.

Cardeal Vulpes: As palavras não têm o valor dos documentos.

Cardeal Ursus: Mas Vossa Eminência tem esperança de que um dia esses “dinossauros” se conformem ao nosso ideal de amor ao homem sobre todas as coisas? Pois nossos irmãos separados apesar de não aceitarem o Papa como seu chefe, têm conosco essa unidade essencial de pensamento, enquanto que os tradicionalistas reconhecem o Papa como chefe da Igreja, mas ainda estão apegados a uma teologia teocêntrica, que os homens de hoje já não aceitam.

Cardeal Vulpes: Se eles crerem na nossa integridade e honestidade, e que desejamos acabar com os males da Igreja, o caminho fica aplainado para uma “mudança de cabeça”, gradual, mas definitiva. E, assim, chegaremos à unidade de todos os povos, em um só amor fraterno, na liberdade de exprimirem suas convicções religiosas e na igualdade de seus direitos diante de seus irmãos. Que perspectiva maravilhosa… Que apareça no teatro do mundo um homem forte e compreensivo, que consiga, com um governo mundial, colocar em prática, com eficácia, através de leis humanitárias, esse ideal do nosso coração…

SEGUNDA CONVERSA IMAGINÁRIA

Será que isso vai acontecer?

Quem sabe?…

Dom Williamson marca uma audiência com Dom Fellay. No dia marcado, os dois estão um diante do outro e trocam as seguintes palavras:

Dom Williamson: Vim aqui, Excelência, para pedir-lhe a permissão de fundar uma nova congregação religiosa.

Dom Fellay: Vossa Excelência está ligado à Fraternidade por uma promessa, e não pode quebra-la. Ademais, estranho que Vossa Excelência venha me pedir uma permissão, visto estar freqüentemente agindo à revelia da minha autoridade…

Dom Williamson: Quando se trata de questões administrativas, não me furto à autoridade de Vossa Excelência. Para sair de uma congregação religiosa e fundar uma nova, normalmente deve-se ter a permissão do superior. Quanto à promessa, Vossa Excelência bem sabe que se há motivos graves que sejam suficientes, pode-se pedir dispensa dela.

Dom Fellay: Várias vezes já lhe dei ordem expressa de parar com seus artigos na internet, nos quais Vossa Excelência desrespeita a minha pessoa; e Vossa Excelência não me obedece. Isso é revoltante e é uma rebeldia.

Dom Williamson: Excelência, sou um bispo da Santa Igreja, e meu múnus episcopal me obriga a denunciar os erros doutrinais, mesmo que eles se encontrem no Papa ou em meu Superior Geral.

Dom Fellay: Vossa Excelência cometeu uma grave falta à disciplina, viajando para o Brasil e aí administrando a Crisma sem minha autorização.

Dom Williamson: Visitei pessoas amigas, e não me imiscuí nos lugares atendidos pela Fraternidade.

Dom Fellay: Para quê Vossa Excelência quer fundar uma nova congregação religiosa? Não há motivos suficientes. A Fraternidade continuará a combater o modernismo e já declarei que não há acordo sem a conversão de Roma.

Dom Williamson: Queira Deus que assim suceda! Nesse caso, seremos duas congregações que batalharão no mesmo sentido, apesar de certas divergências. Assim já sucede entre as dominicanas de Fanjeaux e Brignolles. Mas quero frisar que a declaração de Vossa Excelência carece de valor se não for ratificada com documentos claros que lhe outorguem força de lei.

Dom Fellay: Então, Vossa Excelência desconfia da sinceridade das minhas palavras?

Dom Williamson: Algumas atitudes anteriores de Vossa Excelência me autorizam a ter o direito de desconfiar. E se Vossa Excelência quer saber porque quero fundar uma nova congregação, é para coloca-la em total consonância com as orientações de Dom Lefebvre, de modo especial no que concerne à sua legalidade diante das autoridades romanas: pretendo inserir em suas constituições que ela continuará em aparente ilegalidade enquanto o Papa não voltar a crer em tudo o que creram os Papas antes do Vaticano II.

Dom Fellay: Vossa Excelência não tem minha autorização para fazer essas aventuras.

Dom Williamson: Então terei que faze-lo mesmo sem ela, pois é-me negada injustamente, e trata-se da glória de Deus.

Dom Fellay: Não! Não é possível!… Vossa Excelência não pode fazer isso!… (lágrimas)

Dom Williamson: Saio com os olhos enxutos: já chorei demais diante do que os Papas liberais fizeram sofrer à Santa Igreja, minha mãe.

Arseniius

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