O JUÍZO PARTICULAR – O Comparecimento de um pecador no Tribunal de Deus



V – O JUÍZO PARTICULAR

O Comparecimento de um Pecador no Tribunal de Deus

Um criminoso fugido do cárcere – Numa cidade, em época de guerra, se achava num cárcere um homicida que esperava a sentença. Eis, no entanto, que os inimigos entram na cidade e saqueiam-na e põem-lhe fogo. O povo foge, e os encarcerados também fogem da prisão. Vendo-se livre, exclamou o homicida:


- Desta vez meus inimigos estão bem liquidados!

- Devagar! Ainda ficou um deles: o mais forte! – disse-lhe um bom sujeito.

- Quem é?

- É Deus. Tu, que és um assassino, não tens afinal Deus por inimigo? E desse inimigo, que é onipotente, não poderás fugir. Quando menos pensares nisso, Ele mandará o seu meirinho que é a morte, e esta levar-te-á ao seu tribunal, onde serás julgado.


Essas palavras abalaram o assassino, que se reconciliou com Deus mediante uma boa confissão; depois foi apresentar-se ao juiz terreno a fim de pagar o seu crime antes de comparecer ao Juiz eterno.


***


Queira Deus que a meditação do Juízo dê um abalo também em vós. Perante o tribunal de Jesus Cristo devemos todos comparecer para dar contas do que fizemos em vida, assim de bem como de mal: Omnes nos manifestari oportet ante tribunal Christi, ut referat unusquisque prout gessit, sive bonum sive malum (2 Cor 5,10).

Consideremos:

1 – O comparecimento de um pecador no Tribunal de Deus;

2 – O processo;

3 – A Condenação.

1 – O Comparecimento

1.1 –  O Pensamento

“Está estabelecido que morram os homens uma vez; e depois disso o Juízo: Statutum est hominibus, semel mori; post hoc autem Judicium” (Hebr 9,27). Morrer não é nada: o que apavora é o que virá logo depois da morte, isto é, o Juízo.

Ao pensar nisso até os santos tremiam.

São Jerônimo – S. Jerônimo (+420) morava numa gruta no deserto, onde fazia grandes penitências; no entanto, quando pensava no Juízo, sentia gelar o sangue, e olhava apavorado em torno de si, pois lhe parecia que até as pedras o acusassem perante o divino Juiz.


São Cipriano – S. Cipriano, bispo de Cartago e mártir (+258), até entre jejuns e orações exclamava: “Ai de mim, quando for chamado a Juízo!”


Se assim temiam o Juízo os Santos, como o não deverá temer um pecador?

1.2 – A visita do Juiz

Assim que a alma tiver saído do corpo, achar-se-á diante de Jesus Cristo Juiz, sozinha, sem parentes, sem amigos, sem companheiros. Verá, então, subitamente como num espelho, todo o bem e o mal que tiver feito, pois o Senhor iluminá-la-á com a sua luz divina: Iluminabit abscôndita tenebrarum et manifestabit concilia cordium (1 Cor 4,5).


Que dirá e fará um pobre pecador diante disso? Ver pela primeira vez Jesus e vê-Lo indignado! Que terror ao achar-se diante de um Deus que sabe tudo, que vê tudo, até os pensamentos! “Ele descobre e revela as coisas mais ocultas, e conhece o que está nas trevas (Dan 2,22). Ele é o Senhor do Céu e da terra, e pode fazer tudo. Ele é Majestade tremenda. Ele é o Juiz severíssimo que julgará segundo as obras de cada qual (Ez 7,8). Ele julgará todos os atos por um! (Ecl 12,14); e também as menores coisas e até as palavras ociosas (Mt 12,36).


Quem poderá olhar de frente a esse Juiz? Quis stabit ad videndum eum? (Mal 3,2).

O sonho de um jovem – S. Vicente Ferrer conta de um jovem de má vida, que uma noite sonhou achar-se perante o Tribunal de Deus a fim de ser julgado. Ao ver pela primeira vez Jesus Cristo indignado contra ele e ao ouvir que ele pedia contas de toda a sua vida, foi tomado cabelos brancos.


Se o Juízo experimentado apenas em sonho mete tanto medo, que será depois na realidade?

(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)