Trezena de Santo Antônio - 01 a 13 de junho


Oração particular a Santo Antônio para recitar antes de cada exercício da trezena


Eu vos saúdo, grande Santo Antônio, pai e protetor. Eis-me humildemente prostrado a vossos pés para pedir-vos intercedais por mim diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que Ele se digne conceder-me, por vosso intermédio, a graça que desejo (pede-se a graça), se for da vontade de Deus, à qual me submeto inteiramente. Peço-vos isso, amável santo, pela firme confiança que tenho em Deus, a quem servistes fielmente, e pela confiança que deposito na Virgem Maria, a quem tanto honrastes. Imploro-vos, pelo amor desse doce Jesus-Menino, que carregastes em vosso braços. Suplico-vos, por todos os favores que Ele vos concedeu neste mundo, pelos prodígios sem-número que Deus operou e continua a operar diariamente por vossa intercessão. Peço-vos, enfim, pela grande confiança que tenho em vossa proteção. Amém.


Ladainha de Santo Antônio


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que sois Deus, tende... Santíssima Trindade, que Sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santo Antônio de Pádua, * rogai por nós.

Íntimo amigo do Menino Deus, *

Servo da Mãe Imaculada, *

Fidelíssimo Filho de São Francisco, *

Homem de santa oração, *

Amigo da pobreza, *

Lírio de castidade, *

Modelo de obediência, *

Amante da vida oculta, *

Desprezador das glórias humanas, *

Rosa da caridade, *

Espelho de todas as virtudes, *

Sacerdote segundo o Coração do Altíssimo,*

Imitador dos Apóstolos, *

Mártir pelo desejo, *

Coluna da Igreja, *

Zeloso amante das almas, *

Propugnador da fé, *

Doutor da verdade, *

Batalhador contra a falsidade, *

Arca do testamento, *

Trombeta do Evangelho, *

Convertedor dos pecadores, *

Extirpador dos crimes, *

Restaurador da paz, *

Reformador dos costumes, *

Triunfador dos corações, *

Auxiliador dos aflitos, *

Terror dos demônios, *

Ressuscitador dos mortos, *

Restituidor das coisas perdidas, *

Glorioso taumaturgo, *

Santo do mundo inteiro, *

Glória da Ordem dos Menores, *

Alegria da corte celeste, *

Nosso amável padroeiro, *


Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.


V. Rogai por nós, Santo Antônio.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


Oremos


V. Alegre, Senhor Deus, a vossa Igreja a solenidade votiva de Santo Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que sempre se ache fortalecida com os socorros espirituais, e mereça alcançar os gozos eternos. Pelos merecimentos de Jesus Cristo Nosso Senhor.

R. Amém.


Responsório de Santo Antônio

Julião de Spira


Se milagres desejais,

Recorrei a Santo Antônio;

Vereis fugir o demônio

E as tentações infernais.


Recupera-se o perdido,

Rompe-se a dura prisão

E no auge do furacão

Cede o mar embravecido.


Todos os males humanos

Se moderam, se retiram,

Digam-no aqueles que o viram,

E digam-no os paduanos.


Repete-se: Recupera-se o perdido...


Pela sua intercessão

Foge a peste, o erro, a morte,

O fraco torna-se forte,

E torna-se o enfermo são.


Repete-se: Recupera-se o perdido...


Glória ao Padre...


Repete-se: Recupera-se o perdido...


V - Rogai por nós, Santo Antônio.

R - Para que sejamos dignos da promessas de Cristo.


Oremos


O DEUS, nós Vos suplicamos, que alegre à vossa Igreja a solenidade votiva do bem-aven-turado Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que, fortalecida sempre com os auxílios espirituais, mereça gozar os prazeres eternos. Por JESUS CRISTO, Nosso Senhor. Amém

*


Exercícios da Trezena

- Primeiro Dia -

Radiosa infância de Santo Antônio

Eu vos saúdo... (ver princípio do post)

Santo Antônio de Pádua, o grande taumaturgo, o glorioso filho de São Francisco de Assis, nasceu em Lisboa, no dia 15 de Agosto de 1195. Pertencia, pelo lado paterno, à ilustre família de Godofredo de Bulhões e, pelo lado de sua mãe, Maria Teresa de Távora, à família real das Astúrias. Educado com particular cuidado por mãe piedosíssima, triunfou do demônio desde a mais tenra idade, e consagrou-se ao Senhor.


Completando dez anos, entrou no colégio dos cônegos da catedral, onde se fez admirar por sua piedade angélica. Aos quinze anos, renunciando às vantagens do mundo, entregou-se sem reserva ao serviço de Deus, em um convento de cônegos de Santo Agostinho, em sua cidade natal. Surpreendeu-os pelo gênio precoce e edificou-se pelas virtudes raras. Apaixonado pela oração, não podia entregar-se a ela com todo o ardor de sua piedade, pelas frequentes visitas dos parentes e amigos. Pediu e obteve dos superiores autorização de se retirar para o convento mais solitário de Santa Cruz de Coimbra, onde passou dez anos no exercício de todas as virtudes religiosas. O tempo que lhe sobrava da observância regular, consagrava-o à meditação e ao estudo dos livros santos. Dotado de prodigiosa memória, retinha tudo o que lia. Foi na leitura assídua da divina palavra que aqueceu o coração para oferecê-lo ao Senhor, abrasado de amor. Dócil às inspirações da graça, aplicava-se a conhecer e procurar tudo que podia ser agradável a Deus, sem ouvir as resistências da natureza, as mentiras do espírito das trevas nem as ilusões dos sentidos.


Como boa árvore plantada na terra fértil, Fernando de Bulhões crescia e adornava-se para dar frutos abundantes no tempo preciso.


Como sois feliz, ó Santo Antônio, por terdes compreendido tão cedo que não era demasiado empregar toda a vida a servir a um Deus que não cessa um instante de nos amar; estou convencido de que, quem recusa os primeiros anos ao Criador, recusa-lhe a mais bela e a melhor parte que possui. Como vos felicitais agora de não terdes ouvido a voz enganadora do mundo, que vos afastava de vossos projetos. Se, em vez de vos consagrardes a Deus sem reserva, seguísseis os conselhos dos pérfidos amigos, não poderíeis ser hoje meu protetor! Agradeço-vos, amável Santo, por tudo o que fizestes por Deus, porque o fizestes por mim. Deploro os anos perdidos, as graças recusadas, e espero, com vosso auxílio, mostrar-me mais fiel para o futuro.


Exemplo


Um dia, durante os primeiros anos de sua vida, o jovem Fernando rezava, com as mãos postas, diante da imagem da Santíssima Virgem. Súbito, o demônio, invejoso da beleza de sua alma, apareceu-lhe sob uma forma horrenda, ameaçadora, procurando afastá-lo de Maria. O menino lembrando-se do que havia aprendido sobre o poder do sinal da cruz, traçou-o imediatamente sobre o mármore onde estava ajoelhado. Oh! Que maravilha! A pedra tornou-se flexível sob essa pressão e recebeu a marca da cruz, mais terrível que o raio para expulsar o espírito mau. O tempo não o apagou e ainda hoje os peregrinos beijam esse vestígio, inapagável, do primeiro prodígio de Santo Antônio de Pádua.


Máxima de Santo Antônio: “É santo quem faz todas as ações com número, peso e medida".


Oração


Suplico-vos, grande Santo, em consideração de vossa fidelidade em seguir os atrativos da graça, e pelos méritos das virtudes que praticastes no século e no claustro, obterdes-me de Deus a docilidade às boas inspirações e força para resistir aos combates da carne e às seduções do mundo. Espero poder recuperar, por minha fidelidade, o tempo perdido. Peço-vos também obterdes-me a graça particular esperada por intermédio desta trezena. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Segundo Dia -


Vocação franciscana de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (ver princípio do post)


Santo Antônio amou a Deus por Deus mesmo. Não se deixou prender a essas suavidades que a tibieza nos leva a procurar nos prazeres sensíveis até mesmo nos exercícios espirituais, o que faz com que não se encontre Deus, porque a alma dele se afasta. Vida por vida, alma por alma, amor por amor, imolação total de si mesmo para a glória de Deus: era a divisa de Santo Antônio.


Ora, enquanto ele estava no convento de Santa cruz, levaram com grande pompa as relíquias de cinco franciscanos que tinham regado com seu sangue as terras da África. Ninguém mais do que ele se enterneceu com o esplendor dessas festas. Exclamava, contemplando os preciosos despojos. “Oh! Se o Altíssimo se dignasse associar-me a seus gloriosos sofrimentos! Se me fosse dado ser perseguido pela fé, dobrar o joelho e oferecer minha cabeça ao carrasco! Fernando, esse dia brilhará para ti?”. Não se contém mais; sua alma, jovem, inocente, generosa, toda abrasada de amor por Deus e o desejo do Céu, só tem uma ambição: o martírio, que significa testemunhar a Deus seu amor e fidelidade, pelo sacrifício de sua vida no meio dos tormentos. Mas como conseguir isso?


Os santos mártires ouviram os suspiros do jovem e, para responder-lhe, enviaram religiosos de São Francisco, aos quais poderia falar dos seus projetos.


Disse-lhes confidencialmente: “Desejo com todo o ardor de minha alma, tomar o hábito de vossa ordem. Estou pronto a tudo fazer, com a condição de, depois de me terdes revestido das librés da penitência, me enviardes ao país dos sarracenos, para que eu também mereça ter parte na coroa de vossos santos mártires”.


A aprovação não se fez esperar.


Dom Fernando foi recebido de braços abertos na Ordem de São Francisco, com o nome de Antônio. Os superiores tiveram palavra. Admitiram-no, após o noviciado, à profissão, e enviaram-no às plagas inóspitas da África, onde São Berardo e seus companheiros receberam a coroa do martírio. Mas Deus reservava a Antônio outra glória. Queria fazer dele uma vítima do amor divino e destinava-o a propagar a Ordem seráfica.


Ó verdadeiro herói da cruz de Jesus Cristo, Santo Antônio, vossa conduta condena minha lassidão! Caminhais de virtude em virtude; sem considerar o que já fizestes por Deus, não olhais senão o que de, mais perfeito vos resta fazer. Quereis Deus por Deus, sem procurar o amor próprio. Longe de desfalecerdes em vosso fervor e generosidade, estudais todos os meios capazes de aumentá-los. Ides então ao altar imolar-vos, vítima puríssima; vosso exemplo servirá de aguilhão à minha preguiça, e vosso fervor dissipará minha indiferença. Contemplando-vos, tomarei sentimentos de generosidade. Deus só será minha divisa, e sua soberana vontade, minha regra de conduta!


Exemplo


Um jovem noviço, cedendo a um pensamento de desânimo, resolveu voltar ao mundo.


Perder a vocação é sempre uma desgraça e às vezes desastre irreparável. Santo Antônio foi advertido, por uma revelação, da tentação e das angústias do jovem noviço. Procurou-o, encorajou-o e disse-lhe, soprando-lhe na boca: “Recebe o espírito de força e sabedoria”. Imediatamente o noviço caiu como morto, enquanto sua alma em êxtase era transportada ao Céu. Quando recuperou os sentidos, quis contar o que vira, mas o Santo lho proibiu. A tentação desapareceu e o noviço tornou-se religioso exemplar.


Máxima de Santo Antônio: “Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa”.


Oração


Meu amado protetor, Santo Antônio, em consideração de vosso heroico amor a Deus e do ardente desejo do martírio que vos abrasava, peço-vos obter-me força, coragem e resignação para suportar, ao menos com paciência e sem queixa, as provações e as adversidades que forem da vontade do Céu enviar-me. Aceito-as em expiação de meus pecados; espero, com o socorro de vossas preces, ser mais generoso e constante em minhas boas resoluções. Renovo-vos ainda o pedido especial pelo qual comecei esta trezena. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

- Terceiro Dia -


Humildade de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (ver princípio do post)


Desejar ser ignorado e reputado por pouco é a perfeição da humildade. Abaixar-se em todas as coisas, e colocar-se abaixo de todos para crescer diante de Deus, morrer a si mesmo, para fazer triunfar a glória de Deus: tal é o sublime ideal que seguirá Santo Antônio. Não podendo receber o martírio de sangue devotar-se-á sem medida ao martírio da renúncia. Escondeu seus talentos com tanto cuidado, que durante muito tempo os confrades olharam-no quase como um ignorante. Tão reservado era na conversação, que passava por imbecil, e só lhe confiavam os trabalhos mais vulgares do convento. Enfim, mais por piedade que por satisfação, o padre guardião do convento de Monte Paulo encarregou-o da lavagem da louça e da limpeza da casa. Santo Antônio tudo aceitou sem dizer palavra sobre sua origem e sem a menor alusão aos vastos conhecimentos teológicos recebidos. Conhecer Jesus, e Jesus crucificado, amá-lo, unir-se-lhe, era sua única ambição.


Perfeito discípulo de Jesus Cristo e do patriarca São Francisco, Antônio de Pádua, todas as gerações admirarão vossa profunda humildade. Ornado de todos os dons da natureza e da graça, vos acháveis incapaz de ser útil aos outros e escolhíeis sempre o último lugar. Satisfeito com o olhar de Deus, evitáveis os louvores humanos. Oh! Que contraste admirável com minha conduta; como temo examinar-me! Como posso nutrir tanto orgulho, com tamanhos defeitos, enquanto que vós, cheio de méritos, não vedes ninguém abaixo de vós? Também, estou castigado do meu orgulho e presunção, por minhas recaídas contínuas e pela ausência de todo favor celeste!


Exemplo


Os fariseus, confundidos por Jesus Cristo, maquinaram sua morte. Assim fizeram os heréticos de Romagna, em relação a Santo Antônio de Pádua. Vencidos pelo taumaturgo, resolveram vingar-se insultando-o. Para isso, convidaram-no para um jantar e lhe ofereceram uma bebida envenenada. Por inspiração divina, o Santo conheceu o perigo que lhe estava reservado e repreendeu-os severamente. Não desanimaram e juntaram a crueldade às zombarias, dizendo:


— “Credes ou não no Evangelho? Se nele credes, por que duvidais da promessa do vosso Mestre: Meus discípulos expulsarão os demônios e os venenos não lhes farão mal? Se não credes no Evangelho, por que o pregais? Tomai, tomai o veneno, e, se ele não vos fizer mal, juramos abraça