Trezena de Santo Antônio - 01 a 13 de junho


Oração particular a Santo Antônio para recitar antes de cada exercício da trezena


Eu vos saúdo, grande Santo Antônio, pai e protetor. Eis-me humildemente prostrado a vossos pés para pedir-vos intercedais por mim diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que Ele se digne conceder-me, por vosso intermédio, a graça que desejo (pede-se a graça), se for da vontade de Deus, à qual me submeto inteiramente. Peço-vos isso, amável santo, pela firme confiança que tenho em Deus, a quem servistes fielmente, e pela confiança que deposito na Virgem Maria, a quem tanto honrastes. Imploro-vos, pelo amor desse doce Jesus-Menino, que carregastes em vosso braços. Suplico-vos, por todos os favores que Ele vos concedeu neste mundo, pelos prodígios sem-número que Deus operou e continua a operar diariamente por vossa intercessão. Peço-vos, enfim, pela grande confiança que tenho em vossa proteção. Amém.


Ladainha de Santo Antônio


Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nos.

Jesus Cristo, atendei-nos.


Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.

Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.

Espírito Santo, que sois Deus, tende... Santíssima Trindade, que Sois um só Deus, tende piedade de nós.


Santo Antônio de Pádua, * rogai por nós.

Íntimo amigo do Menino Deus, *

Servo da Mãe Imaculada, *

Fidelíssimo Filho de São Francisco, *

Homem de santa oração, *

Amigo da pobreza, *

Lírio de castidade, *

Modelo de obediência, *

Amante da vida oculta, *

Desprezador das glórias humanas, *

Rosa da caridade, *

Espelho de todas as virtudes, *

Sacerdote segundo o Coração do Altíssimo,*

Imitador dos Apóstolos, *

Mártir pelo desejo, *

Coluna da Igreja, *

Zeloso amante das almas, *

Propugnador da fé, *

Doutor da verdade, *

Batalhador contra a falsidade, *

Arca do testamento, *

Trombeta do Evangelho, *

Convertedor dos pecadores, *

Extirpador dos crimes, *

Restaurador da paz, *

Reformador dos costumes, *

Triunfador dos corações, *

Auxiliador dos aflitos, *

Terror dos demônios, *

Ressuscitador dos mortos, *

Restituidor das coisas perdidas, *

Glorioso taumaturgo, *

Santo do mundo inteiro, *

Glória da Ordem dos Menores, *

Alegria da corte celeste, *

Nosso amável padroeiro, *


Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.


V. Rogai por nós, Santo Antônio.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


Oremos


V. Alegre, Senhor Deus, a vossa Igreja a solenidade votiva de Santo Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que sempre se ache fortalecida com os socorros espirituais, e mereça alcançar os gozos eternos. Pelos merecimentos de Jesus Cristo Nosso Senhor.

R. Amém.


Responsório de Santo Antônio

Julião de Spira


Se milagres desejais,

Recorrei a Santo Antônio;

Vereis fugir o demônio

E as tentações infernais.


Recupera-se o perdido,

Rompe-se a dura prisão

E no auge do furacão

Cede o mar embravecido.


Todos os males humanos

Se moderam, se retiram,

Digam-no aqueles que o viram,

E digam-no os paduanos.


Repete-se: Recupera-se o perdido...


Pela sua intercessão

Foge a peste, o erro, a morte,

O fraco torna-se forte,

E torna-se o enfermo são.


Repete-se: Recupera-se o perdido...


Glória ao Padre...


Repete-se: Recupera-se o perdido...


V - Rogai por nós, Santo Antônio.

R - Para que sejamos dignos da promessas de Cristo.


Oremos


O DEUS, nós Vos suplicamos, que alegre à vossa Igreja a solenidade votiva do bem-aven-turado Antônio, vosso Confessor e Doutor, para que, fortalecida sempre com os auxílios espirituais, mereça gozar os prazeres eternos. Por JESUS CRISTO, Nosso Senhor. Amém

*


Exercícios da Trezena

- Primeiro Dia -

Radiosa infância de Santo Antônio

Eu vos saúdo... (ver princípio do post)

Santo Antônio de Pádua, o grande taumaturgo, o glorioso filho de São Francisco de Assis, nasceu em Lisboa, no dia 15 de Agosto de 1195. Pertencia, pelo lado paterno, à ilustre família de Godofredo de Bulhões e, pelo lado de sua mãe, Maria Teresa de Távora, à família real das Astúrias. Educado com particular cuidado por mãe piedosíssima, triunfou do demônio desde a mais tenra idade, e consagrou-se ao Senhor.


Completando dez anos, entrou no colégio dos cônegos da catedral, onde se fez admirar por sua piedade angélica. Aos quinze anos, renunciando às vantagens do mundo, entregou-se sem reserva ao serviço de Deus, em um convento de cônegos de Santo Agostinho, em sua cidade natal. Surpreendeu-os pelo gênio precoce e edificou-se pelas virtudes raras. Apaixonado pela oração, não podia entregar-se a ela com todo o ardor de sua piedade, pelas frequentes visitas dos parentes e amigos. Pediu e obteve dos superiores autorização de se retirar para o convento mais solitário de Santa Cruz de Coimbra, onde passou dez anos no exercício de todas as virtudes religiosas. O tempo que lhe sobrava da observância regular, consagrava-o à meditação e ao estudo dos livros santos. Dotado de prodigiosa memória, retinha tudo o que lia. Foi na leitura assídua da divina palavra que aqueceu o coração para oferecê-lo ao Senhor, abrasado de amor. Dócil às inspirações da graça, aplicava-se a conhecer e procurar tudo que podia ser agradável a Deus, sem ouvir as resistências da natureza, as mentiras do espírito das trevas nem as ilusões dos sentidos.


Como boa árvore plantada na terra fértil, Fernando de Bulhões crescia e adornava-se para dar frutos abundantes no tempo preciso.


Como sois feliz, ó Santo Antônio, por terdes compreendido tão cedo que não era demasiado empregar toda a vida a servir a um Deus que não cessa um instante de nos amar; estou convencido de que, quem recusa os primeiros anos ao Criador, recusa-lhe a mais bela e a melhor parte que possui. Como vos felicitais agora de não terdes ouvido a voz enganadora do mundo, que vos afastava de vossos projetos. Se, em vez de vos consagrardes a Deus sem reserva, seguísseis os conselhos dos pérfidos amigos, não poderíeis ser hoje meu protetor! Agradeço-vos, amável Santo, por tudo o que fizestes por Deus, porque o fizestes por mim. Deploro os anos perdidos, as graças recusadas, e espero, com vosso auxílio, mostrar-me mais fiel para o futuro.


Exemplo


Um dia, durante os primeiros anos de sua vida, o jovem Fernando rezava, com as mãos postas, diante da imagem da Santíssima Virgem. Súbito, o demônio, invejoso da beleza de sua alma, apareceu-lhe sob uma forma horrenda, ameaçadora, procurando afastá-lo de Maria. O menino lembrando-se do que havia aprendido sobre o poder do sinal da cruz, traçou-o imediatamente sobre o mármore onde estava ajoelhado. Oh! Que maravilha! A pedra tornou-se flexível sob essa pressão e recebeu a marca da cruz, mais terrível que o raio para expulsar o espírito mau. O tempo não o apagou e ainda hoje os peregrinos beijam esse vestígio, inapagável, do primeiro prodígio de Santo Antônio de Pádua.


Máxima de Santo Antônio: “É santo quem faz todas as ações com número, peso e medida".


Oração


Suplico-vos, grande Santo, em consideração de vossa fidelidade em seguir os atrativos da graça, e pelos méritos das virtudes que praticastes no século e no claustro, obterdes-me de Deus a docilidade às boas inspirações e força para resistir aos combates da carne e às seduções do mundo. Espero poder recuperar, por minha fidelidade, o tempo perdido. Peço-vos também obterdes-me a graça particular esperada por intermédio desta trezena. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Segundo Dia -


Vocação franciscana de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (ver princípio do post)


Santo Antônio amou a Deus por Deus mesmo. Não se deixou prender a essas suavidades que a tibieza nos leva a procurar nos prazeres sensíveis até mesmo nos exercícios espirituais, o que faz com que não se encontre Deus, porque a alma dele se afasta. Vida por vida, alma por alma, amor por amor, imolação total de si mesmo para a glória de Deus: era a divisa de Santo Antônio.


Ora, enquanto ele estava no convento de Santa cruz, levaram com grande pompa as relíquias de cinco franciscanos que tinham regado com seu sangue as terras da África. Ninguém mais do que ele se enterneceu com o esplendor dessas festas. Exclamava, contemplando os preciosos despojos. “Oh! Se o Altíssimo se dignasse associar-me a seus gloriosos sofrimentos! Se me fosse dado ser perseguido pela fé, dobrar o joelho e oferecer minha cabeça ao carrasco! Fernando, esse dia brilhará para ti?”. Não se contém mais; sua alma, jovem, inocente, generosa, toda abrasada de amor por Deus e o desejo do Céu, só tem uma ambição: o martírio, que significa testemunhar a Deus seu amor e fidelidade, pelo sacrifício de sua vida no meio dos tormentos. Mas como conseguir isso?


Os santos mártires ouviram os suspiros do jovem e, para responder-lhe, enviaram religiosos de São Francisco, aos quais poderia falar dos seus projetos.


Disse-lhes confidencialmente: “Desejo com todo o ardor de minha alma, tomar o hábito de vossa ordem. Estou pronto a tudo fazer, com a condição de, depois de me terdes revestido das librés da penitência, me enviardes ao país dos sarracenos, para que eu também mereça ter parte na coroa de vossos santos mártires”.


A aprovação não se fez esperar.


Dom Fernando foi recebido de braços abertos na Ordem de São Francisco, com o nome de Antônio. Os superiores tiveram palavra. Admitiram-no, após o noviciado, à profissão, e enviaram-no às plagas inóspitas da África, onde São Berardo e seus companheiros receberam a coroa do martírio. Mas Deus reservava a Antônio outra glória. Queria fazer dele uma vítima do amor divino e destinava-o a propagar a Ordem seráfica.


Ó verdadeiro herói da cruz de Jesus Cristo, Santo Antônio, vossa conduta condena minha lassidão! Caminhais de virtude em virtude; sem considerar o que já fizestes por Deus, não olhais senão o que de, mais perfeito vos resta fazer. Quereis Deus por Deus, sem procurar o amor próprio. Longe de desfalecerdes em vosso fervor e generosidade, estudais todos os meios capazes de aumentá-los. Ides então ao altar imolar-vos, vítima puríssima; vosso exemplo servirá de aguilhão à minha preguiça, e vosso fervor dissipará minha indiferença. Contemplando-vos, tomarei sentimentos de generosidade. Deus só será minha divisa, e sua soberana vontade, minha regra de conduta!


Exemplo


Um jovem noviço, cedendo a um pensamento de desânimo, resolveu voltar ao mundo.


Perder a vocação é sempre uma desgraça e às vezes desastre irreparável. Santo Antônio foi advertido, por uma revelação, da tentação e das angústias do jovem noviço. Procurou-o, encorajou-o e disse-lhe, soprando-lhe na boca: “Recebe o espírito de força e sabedoria”. Imediatamente o noviço caiu como morto, enquanto sua alma em êxtase era transportada ao Céu. Quando recuperou os sentidos, quis contar o que vira, mas o Santo lho proibiu. A tentação desapareceu e o noviço tornou-se religioso exemplar.


Máxima de Santo Antônio: “Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa”.


Oração


Meu amado protetor, Santo Antônio, em consideração de vosso heroico amor a Deus e do ardente desejo do martírio que vos abrasava, peço-vos obter-me força, coragem e resignação para suportar, ao menos com paciência e sem queixa, as provações e as adversidades que forem da vontade do Céu enviar-me. Aceito-as em expiação de meus pecados; espero, com o socorro de vossas preces, ser mais generoso e constante em minhas boas resoluções. Renovo-vos ainda o pedido especial pelo qual comecei esta trezena. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...

- Terceiro Dia -


Humildade de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (ver princípio do post)


Desejar ser ignorado e reputado por pouco é a perfeição da humildade. Abaixar-se em todas as coisas, e colocar-se abaixo de todos para crescer diante de Deus, morrer a si mesmo, para fazer triunfar a glória de Deus: tal é o sublime ideal que seguirá Santo Antônio. Não podendo receber o martírio de sangue devotar-se-á sem medida ao martírio da renúncia. Escondeu seus talentos com tanto cuidado, que durante muito tempo os confrades olharam-no quase como um ignorante. Tão reservado era na conversação, que passava por imbecil, e só lhe confiavam os trabalhos mais vulgares do convento. Enfim, mais por piedade que por satisfação, o padre guardião do convento de Monte Paulo encarregou-o da lavagem da louça e da limpeza da casa. Santo Antônio tudo aceitou sem dizer palavra sobre sua origem e sem a menor alusão aos vastos conhecimentos teológicos recebidos. Conhecer Jesus, e Jesus crucificado, amá-lo, unir-se-lhe, era sua única ambição.


Perfeito discípulo de Jesus Cristo e do patriarca São Francisco, Antônio de Pádua, todas as gerações admirarão vossa profunda humildade. Ornado de todos os dons da natureza e da graça, vos acháveis incapaz de ser útil aos outros e escolhíeis sempre o último lugar. Satisfeito com o olhar de Deus, evitáveis os louvores humanos. Oh! Que contraste admirável com minha conduta; como temo examinar-me! Como posso nutrir tanto orgulho, com tamanhos defeitos, enquanto que vós, cheio de méritos, não vedes ninguém abaixo de vós? Também, estou castigado do meu orgulho e presunção, por minhas recaídas contínuas e pela ausência de todo favor celeste!


Exemplo


Os fariseus, confundidos por Jesus Cristo, maquinaram sua morte. Assim fizeram os heréticos de Romagna, em relação a Santo Antônio de Pádua. Vencidos pelo taumaturgo, resolveram vingar-se insultando-o. Para isso, convidaram-no para um jantar e lhe ofereceram uma bebida envenenada. Por inspiração divina, o Santo conheceu o perigo que lhe estava reservado e repreendeu-os severamente. Não desanimaram e juntaram a crueldade às zombarias, dizendo:


— “Credes ou não no Evangelho? Se nele credes, por que duvidais da promessa do vosso Mestre: Meus discípulos expulsarão os demônios e os venenos não lhes farão mal? Se não credes no Evangelho, por que o pregais? Tomai, tomai o veneno, e, se ele não vos fizer mal, juramos abraçar a fé católica”.


Santo Antônio replicou,


— "Eu o farei, não para tentar a Deus, mas para provar-vos quanto é do meu desejo a salvação de vossas almas e o triunfo do Evangelho”.


Fazendo o sinal da cruz sobre a bebida envenenada, tomou-a sem sofrer a menor indisposição. Os heréticos por sua vez foram fiéis ao juramento e entraram no grêmio da Igreja.


Máxima de Santo Antônio: “A humildade é o começo das boas ações, como o botão é o começo da flor”.


Oração


Meu santo protetor, glorioso Santo Antônio, dignai-vos pedir por mim. Se Deus nada recusa às almas humildes, obtende-me a graça da humildade, que é o fundamento de todas as virtudes. Se até hoje minha vida nada mais foi que contínuas recaídas, compreendo, foi em consequência de meu orgulho; se sou tão pouco paciente tão pouco caridoso, tão pouco obediente, é ainda por causa de meu orgulho. Espero em vós, grande Santo; ajudai-me a corrigir-me desse incrível defeito, e não me recuseis vossa assistência pela graça que vos solicito durante esta trezena. Santo Antônio, desejo imitar-vos. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Quarto Dia -


Obediência de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (ver princípio do post)


A obediência é a pedra de toque da verdadeira humildade. Quanto mais uma alma se despreza, mais agrada a Deus, e mais facilmente se submete às ordens dos que O representam. É o que nos mostra Santo Antônio. Apesar do grande atrativo para a vida humilde e escondida, à voz da obediência, renunciava sem hesitação a seus desejos, revelava seus talentos e corria aonde os seus superiores o chamava. Foi a essa dependência absoluta antes que aos talentos, que se atribuíram todas as maravilhas de sua vida apostólica. Deus disse: O homem obediente caminhará de vitória em vitória. Santo Antônio esforçava-se também na prática dessa virtude; foi à África procurar o martírio por obediência; voltou à Itália por obediência; ficou escondido por obediência; se prega, se ensina teologia, se compõe obras, é ainda por obediência; se exerce o cargo de guardião ou de provincial, é sempre por obediência. De uma parte fundado sobre a humildade, não se julga bom para nada; dirigido pela obediência, sente-se capaz de tudo empreender, de tudo fazer. Eis o verdadeiro santo, eis o único meio de fazer frutificar o talento que Deus nos confia; eis o caminho mais curto para chegar ao Céu.


Ó feliz Santo Antônio, modelo de obediência, tesouro de perfeição; não vos credes bom senão para obedecer; só estimais a dependência e a submissão; e eu, com todos os meus defeitos, esteusheio de presunção e apegado às minhas idéias. Revolto-me contra a dependência e, se obedeço, é só imperfeitamente. Meu santo protetor, serei mais tempo joguete de meu amor próprio, escravo de minhas vontades? Quanto tempo perdido, a quantos prazeres me entreguei inutilmente, sem proveito para os outros, sem sucesso para mim, porque minhas ações não eram dirigidas pela obediência!


Exemplo


Santo Antônio achava-se um dia na cidade de Rimini, na Romagna, procurando um meio de levar a DEUS as multidões que as paixões desgarravam. Implorou a proteção do Criador e fez sinal ao povo de segui-lo à praia e conduziu-o à embocadura do rio Marecchia. Aí, voltando-se para o Adriático, clamou em alta voz: “Peixes dos rios, peixes do mar, ouvi. Quero anunciar-vos a palavra de Deus, uma vez que os heréticos recusam ouvi-la...” À sua voz as ondas agitaram-se; inúmeros cardumes de peixes, que povoam o mar, correram para aquele que os tinha chamado. Disse-lhes o taumaturgo: “Meus irmãos peixes, deveis ao Criador um reconhecimento sem medida. Foi Ele que vos designou para morada nesses imensos reservatórios. Foi Ele que vos deu essa casa nas profundezas das águas, para refúgio na tempestade; deu-vos nadadeiras para irdes aonde quiserdes e vos fornece a comida de cada dia. Criando-vos, ordenou de crescerdes e multiplicar-vos e abençoou-vos. No dilúvio universal, enquanto os outros animais pereciam nas águas, conservou-vos. Fez-vos a honra de escolher-vos para salvar o profeta Jonas, fornecer o tributo do Filho do Homem e servir-Lhe de alimento antes e depois de sua ressurreição. Louvai e abençoai ao Senhor, que vos favoreceu entre todos os seres da criação”.


Atentos, como se fossem dotados de inteligência, os peixes testemunhavam por movimentos que tinham prazer em ouvir o Santo e queriam dar a Deus o mudo tributo de Eu vos saúdo... (ver princípio do post)


Exclamou Santo Antônio voltando-se para os heréticos: “Vede, admirai como criaturas privadas da razão ouvem a palavra de Deus com mais docilidade que os homens criados à sua imagem e semelhança!”


Máxima de Santo Antônio: “A verdadeira obediência é humilde, devota, diligente, jovial e perseverante”.

Santo Antônio, eis a vossos pés um miserável orgulhoso que até hoje só quis sujeitar-se a si. É com inteira confiança que venho pedir-vos para obter-me, pelos méritos de vossa obediência, mais esta virtude em que tanto sobressaístes e sem a qual não posso agradar a Deus. Reconheço hoje que a minha vontade própria é o maior obstáculo que encontro no caminho da perfeição. O exemplo de Jesus obediente deveria fazer-me compreender mais depressa a necessidade do desprendimento e da obediência. Confesso-me bem culpado e sem desculpa. Meu santo protetor, rogai por mim; fazei também que, por vosso intermédio, obtenha a graça que tanto necessito, especialmente durante esta trezena. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Quinto Dia -

Zelo apostólico de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (ver princípio do post)


Santo Antônio, morto a si mesmo pela humildade, vivendo pela obediência aos superiores, agindo pelo amor de Deus, levado ao próximo pela caridade, devia naturalmente estar animado do verdadeiro zelo apostólico. Para livrar as almas do Inferno, nada lhe custa; não se cansa de pregar, castiga o corpo pelos que não o fazem, chora pelos que não choram; humilha-se pelos que se não humilham; perdoa pelos que não perdoam e obedece pelos que não obedecem. Seus amigos são os fracos e os aflitos. Cheio de bondade para com os humildes, é entretanto sem piedade para os orgulhosos; como o divino Mestre, ameaça-os com a cólera divina! A exemplo do seráfico Pai São Francisco, quer, com os maiores sacrifícios, ganhar almas, muitas almas para Deus! Para chegar a esse resultado, far-se-á todo para todos, como o grande apóstolo. Não é isso bastante? Pede aos céus prodígios para tocar os corações. Todos lhe obedecem. Sua palavra brilhante, poderosa, é como um gládio de pontas afiadas; atinge até à divisão da alma e do espírito. Sua caridade tornou-se também útil a todos. Quem poderia contar quantos pecadores lhe devem a salvação! E em quantos corações acendeu as chamas do amor divino!... Não é sem razão que a piedade dos povos chama Santo Antônio de homem apostólico.


Ó grande Santo Antônio, vós vos esquecestes a vós mesmo, para só pensardes nos interesses dos outros! Compenetrado do preço de uma alma, daríeis vossa vida para ganhá-la a Deus. Não contente de fazer ouvir a palavra divina, ofereceis diariamente, pelos pecadores, o sacrifício de vós mesmo, pela mortificação e penitência. Considerando vosso zelo, deploro minha culpada indiferença. Coloco sempre os interesses temporais acima dos espirituais; só sinto aborrecimento e fadiga na oração e mortificação; ouço a palavra de Deus apenas por curiosidade e com bastante frieza. Faço sacrifícios pela terra e nada pelo Céu.


Exemplo


Um dia, em Tolosa, um rico e poderoso incrédulo, chamado Guiald, teve longa discussão com Santo Antônio, sobre o dogma, para ele inadmissível, da presença real de Nosso Senhor na Eucaristia!


Replicou o homem de DEUS:


- Que! O muçulmano crê na palavra de Maomé; o filósofo, no testemunho de Aristóteles, e vós, recusais crer na afirmação tão nítida e tão luminosa do Homem-Deus!


- Replicou o incrédulo: Crer não basta, quero ver Irmão Antônio, se podes demonstrar por um fato sensível o que demonstrais pela razão, abjurarei as minhas crenças e abraçarei a vossa. Aceitai a proposta?


- Certamente, respondeu o Santo.


- Tenho uma mula, continua o herege, prendê-la-ei e deixá-la-ei em jejum durante três dias. No fim desse tempo levá-la-ei à praça pública, em presença de todos, e lhe apresentarei a ração de aveia. Por vosso lado, lhe mostrareis a hóstia que, segundo as vossas palavras, contém o corpo do Homem-Deus. Se a mula rejeitar a aveia para ajoelhar-se diante da

Hóstia, eu me declararei católico.


No dia marcado, na praça, entre as zombarias de uns e apreensões de outros, apareceu o apóstolo com o Santíssimo Sacramento e o herege com a mula. Era solene o momento. Antônio impôs silêncio, e, virando-se para o animal, lhe disse:


- “Em nome de teu Criador, que trago em minhas mãos, embora indigno, conjuro-te e ordeno-te, ó ser desprovido da razão, a vir imediatamente prostrenar-te diante dele, para que os hereges reconheçam, por esse ato, que toda a criação está sujeita ao Cordeiro que se imola sobre nossos altares”. Ao mesmo tempo ofereceram à mula o que reclamava seu estômago, e ela, dócil à voz do Santo, sem tocar na aveia, avança, dobra os joelhos diante do Santíssimo Sacramento, em atitude de adoração. A vitória do Santo foi completa. O herege confessou lealmente suas faltas, e fiel à palavra que empenhara, abjurou publicamente seus erros.


Máxima de Santo Antônio: “Embora Deus seja paciente, porque é bom, pune, entretanto, porque é justo”.


Oração


O meu bem amado protetor Santo Antônio, suplico-vos, pelo zelo de salvação das almas, que vos fez suportar tantas fadigas, obtende-me um verdadeiro ardor para trabalhar na minha salvação. Fazei-me compreender a rapidez do tempo, a vaidade do mundo, a malícia do pecado e os bens do Céu. Sereis, hoje, menos zeloso da glória de Deus e do bem das almas do que o fostes durante vossa vida terrestre? Sereis menos poderoso para tocardes os corações e esclarecerdes os espíritos? A confiança que em vós deposito poderá tornar-se enganadora e sem resultado? Não, grande Santo, como testemunho do contrário, tenho a palavra do Responsório que me garante que, se para salvar-me fora preciso um milagre, a vós deveria recorrer. Peço-vos então este prodígio, assim como a graça que constitui o objeto especial desta trezena. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Sexto Dia -

Caridade de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (ver princípio do post)


Uma alma que vai ao encalço de Deus não pára nunca; com os olhos fixos no Céu, não vê obstáculos e, se acontece a tribulação atingi-la, exclama com São Paulo: Transbordo de alegria no meio de minhas tribulações. Que pode desanimar uma alma enamorada do amor de Deus? Santo Antônio era uma dessas almas. Cheio de compaixão pelos pobres pecadores, caminha para eles sem desfalecimentos, e a misericórdia que lhes testemunha reconcilia-os com Deus, e ganha-os definitivamente. A caridade e urgentes solicitações triunfam dos corações mais endurecidos. Os fracos, os hesitantes, os aflitos acham sempre nele um pai, um amigo, um consolador. Sua paciência no augusto mistério da confissão é inesgotável. Nada o demove. A saúde, embora fraca e delicada, não o priva de aí passar uma grande parte de seu tempo; em compensação, a confiança que depositam em sua direção opera prodígios.


Um dia, um pobre pecador estava tão sufocado pela emoção e arrependimento de seus pecados, que lhe era impossível proferir uma só palavra. O benfeitor lhe aconselhou, então, de trazer os pecados por escrito. O penitente obedeceu, mas quando o homem de Deus recebeu o papel das mãos do penitente, a escrita tinha desaparecido; estava tão limpo o papel, como se nada tivesse escrito!


Que alegria para a alma desse homem ouvir o Santo dizer: “Ide em paz, meu irmão, Deus tudo perdoou”.


Ó caridoso médico das almas, Santo Antônio, vosso zelo em ouvir os pecadores prova o quanto os amais. Apesar de vossas enfermidades e numerosas fadigas, passáveis dias inteiros a reconciliá-los com Deus; e eu, coberto de pecados, culpado diante de Deus e dos homens, difiro, rebato, para não me incomodar, e também por indiferença. Queixo-me de esperar alguns momentos para receber meu perdão, que Jesus Cristo mereceu-me depois de trinta e três anos de trabalhos. Para recobrar a saúde do corpo, ganhar um processo, colocar-me honradamente, adquirir a estima do mundo, fatigo-me de manhã à noite, tomo remédios amargos, submeto-me a operações dolorosas, faço sacrifícios de dinheiro e amor próprio; e, para purificar minha alma, para ganhar o Céu, hesito, lastimo o tempo perdido, temo um instante de confusão e recuso os remédios.


Exemplo


Havia quatro séculos que Santo Antônio de Pádua ilustrava o mundo com seus milagres, quando uma senhora de Bolonha, sem filhos, sabendo dos numerosos benefícios do taumaturgo, suplicou-lhe ter piedade dela, e acabar com o longo castigo de sua esterilidade.


Uma noite, e num sonho misterioso, o Santo apareceu-lhe e disse: “Ide nove terças-feiras seguidas visitar a igreja dos frades menores. Recebei a sagrada comunhão, e vossos desejos serão realizados”. Ela seguiu a prescrição do Santo, e ele, por sua vez, mostrou-se fiel à promessa que fizera.


Máxima de Santo Antônio: “Os pecados dos cristãos serão cobertos de confusão maior que os dos judeus e dos pagãos”.


Oração


Santo Antônio de Pádua, amigo dos pecadores, por que não vos invoquei há mais tempo para obter a cura de minha alma, a dor dos meus pecados? Suplico-vos, fazei que para o futuro tema o pecado, evite as ocasiões de pecar, e que se, por desgraça, recair em meus maus costumes, ao menos não permaneça no mal. Sou tão fraco que tudo temo; mas se vos dignais velar por minha alma, parece-me que então poderei perseverar. Meu Santo protetor, será inutilmente que a vós me recomendo e o nome de Antônio não será ainda hoje como outrora terrível ao Inferno, poderoso no Céu e abençoado na Terra? Por piedade, consenti que insista junto de vós, para merecer este favor, que solicito durante estes treze dias. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Sétimo Dia -


Fervor de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (confira o início da novena)


Trabalhando pela salvação das almas e para a glória de sua Ordem, Santo Antônio não se descuidava de sua própria perfeição. Não ignorava que a carne domina o espírito e quando se deixa dominar por ela um instante, se não renovar as suas provisões, fica logo arruinado. Serviu-se então, desde o primeiro dia de sua vida até ao último, dos meios que todos os santos empregaram para se manter no fervor, quer dizer, na vigilância sobre os sentidos: a oração e a mortificação. Em vão quer-se ir a Deus por um outro caminho; os santos sem esses meios cairiam no relaxamento, seriam privados das graças interiores para si mesmos e dos dons sobrenaturais para o próximo. Santo Antônio rezava com lágrimas e sem cessar. Sem falar no Ofício Divino que rezava sempre com grande piedade, celebrava todas as manhãs os santos mistérios com um fervor verdadeiramente angélico, preparando-se sempre pela oração e meditação. Sempre, durante o dia, elevava seu coração para a Rainha do Céu. Gostava de repetir: Ó gloriosa Soberana! Ó gloriosa Senhora! Era como a respiração de sua alma. De porte grave e doce, costumava dizer, como São Francisco, que a simplicidade é uma prédica. O silêncio, o recolhimento, a vida escondida em Deus faziam suas delícias.


Muito austero era seu modo de vida, recusando ao corpo tudo o que não era rigorosamente necessário. Praticava os votos e a obediência regular, com toda perfeição.


Ó grande Santo Antônio, o profundo conhecimento que tínheis de vós mesmo vos tornava sempre prudente; sabíeis que não se deve presumir de si mesmo, por mais sublime que seja a vocação a que Deus nos destine e os favores que nos faça. Vossa prudência consistia em rezar muito, velar sobre os sentidos, mortificar o corpo e o espírito e praticar, à letra, a regra que abraçastes. Tornastes-vos santo, porque perseverastes no emprego desses meios. Se eu os tivesse empregado com fidelidade e perseverança, estaria hoje muito adiantado na virtude; mas, como confiei em minhas forças, quis ouvir minha preguiça e sensualidade, em uma palavra, porque desejei o fim sem empregar os meios, estou ainda sob o peso de minhas más inclinações.


Exemplo


Uma tarde, durante a oração que seguia o canto das Matinas, os companheiros de Santo Antônio viram um bando de malfeitores devastando a seara no campo vizinho, que pertencia a um dos benfeitores do convento. Correram a contar o sucedido ao Santo.


Respondeu o Santo: “desenganai-vos, é um artifício do demônio, que nada mais deseja que vos afastar por esse meio do exercício da presença de Deus”. Quando amanheceu, a seara estava intacta e os religiosos viram, mais uma vez, em que grande medida a alma do seu superior estava ornada dos dons do Espírito Santo.


Máxima de Santo Antônio: “Aquele que detém voluntariamente olhos e o espírito na tentação, cairá facilmente no pecado”.


Oração


Meu caro protetor, Santo Antônio, vosso exemplo cobre-me de confusão! Compreendo minha indesculpável temeridade. Até hoje pretendi, sem vigilância, sem oração e sem mortificação, triunfar de meus inimigos e vencer minhas paixões! Oh! Peço-vos, em consideração desta vigilância que exercestes sobre vós, obtende-me a fidelidade e perseverança nos meios que vos asseguraram a coroa da vida. Não cessarei de a vós me dirigir para obter este favor. Santo Antônio, compadecei-vos de minha miséria; não, não me recuseis vossa assistência; é para a maior glória de Deus que isso vos peço. Fazei-me também receber a graça que vos solicito mais especialmente durante esta trezena. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Oitavo Dia -


Favores concedidos a Santo Antônio


Eu vos saúdo... (confira o início da novena)


Se o descendente de Godofredo de Bulhões tudo deixou para caminhar após o Mestre, teve a recompensa do cêntuplo desde esta vida. Antônio, renunciando às satisfações dos sentidos, recebeu em abundância delícias espirituais; abdicando a vontade, dominou todos os povos; privando-se dos bens terrenos, toda a natureza depositou tesouros em suas mãos; deixando a família, pais, amigos, o mundo inteiro deu-lhe o doce nome de pai. Seu espírito, desapegado dos laços da matéria, elevava-se sem esforço a Deus, dando lugar a tal intimidade com Jesus, rara mesmo entre os santos. A inteligência, despojada das ilusões do amor próprio, faminta da verdade eterna, fê-lo nutrir-se com saciedade e alegria das palavras do Espírito Santo; descobre luzes que o esclarecem, fortificam e o tornam como impecável; o corpo, imolado, quase não sente os aguilhões da carne e o deixa em estado de repouso; o coração desapegado da criatura, pode entregar-se com transporte às deliciosas ternuras do amor divino. Se o espírito das trevas procura inquieta-lo, invoca Maria, que corre imediatamente em seu socorro; e, para selar tantos favores, e compensá-lo de todos os sacrifícios, o Menino Jesus desce visivelmente a seus braços, acaricia-o, dá-lhe beijos e fala-lhe familiarmente. Antônio conta apenas trinta e seis anos e está há muito tempo morto a tudo que o cerca: a nada mais aspira senão ao Céu, nada mais lhe resta que reunir-se àquele que será sua recompensa e ventura na eternidade. Ó preciosa morte! Ó feliz vida! Bem-aventurado Antônio, gozastes desde esta vida do fruto de vossos trabalhos; sentistes antecipadamente quanto o Senhor é bom para os que se dão inteiramente a ele. O Deus de amor, que não se deixa vencer em generosidade, deu-vos antecipada recompensa; mas, para merecê-la, para chegar a tão feliz repouso da alma, tudo deixastes, tudo imolastes, tudo sacrificastes: corpo, alma, coração, parentes, amigos, felicidade, futuro. Trabalhastes antes de repousar; sofrestes antes de gozar; procurastes Deus unicamente por Ele mesmo, sem interesses terrestres. Oh! Que diferença entre vossa conduta e a minha! Apenas deixo os pecados e pretendo logo as carícias de Jesus; começo a trabalhar, logo o corpo pede repouso; ofereço os primeiros sacrifícios, quero imediatamente a recompensa e a coroa; cheguei à vinha do Senhor na undécima hora, e queixo-me de fadiga, murmuro, pensando não ser tratado com justiça.


Exemplo


Foi em Roma, em 1830. Uma criança de seis anos, brincando à beira de uma janela, caiu do terceiro andar à rua. “Santo Antônio, Santo Antônio, rogai por nós!” Exclamou a mãe, vendo-a cair; assustadíssima, desceu, julgando ter a criança morrido instantaneamente. No entanto, ela nada sofrerá. Nem uma contusão! Nem um ferimento! “Um frade, disse o pequeno, amparou-me nos braços e colocou-me docemente no chão”. A senhora conduziu-o à igreja para dar graças a Deus. O menino vendo um quadro, exclamou: “Olha ali, olha ali! O frade que me salvou!” O frade era o poderoso Santo Antônio de Pádua.


Máxima de Santo Antônio: “A ação é de algum modo mais eloquente que a palavra”.


Oração


Caríssimo protetor, Santo Antônio, amado de Deus e dos homens, Oh! Quanta necessidade tenho de ficar junto de vós, de não mais perder-vos de vista! Quero chamar-vos meu pai, para que me olheis como filho. Nessa qualidade, me ajudareis a combater generosamente, a querer o trabalho, para merecer a recompensa, a suportar a fadiga, para alcançar o repouso, a imolar a existência, para chegar à vida. Sei perfeitamente que, se pedirdes por mim esta graça, Jesus Cristo não vô-la negará. Podeis e fareis; ponho em vós minha confiança. Meu amadíssimo Santo Antônio, não me recuseis este ato de bondade. Peço-vos também não permitir que faça esta trezena sem receber a graça particular que de vós espero. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Nono Dia -


Esperança de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (confira o início da novena)


A esperança é uma virtude que suaviza todos os males da vida presente e futura, e

que nos inspira resignação à Providência divina, pelas recompensas que promete aos que têm confiança na sua misericórdia. Esta virtude era para Santo Antônio uma dádiva generosa de Deus que o levou até ao fim de seus dias por um caminho suave e agradável, uma vez que regulou a esperança com a consideração do objeto a que ela se dirige. Com a ajuda desta virtude, Antônio suportou facilmente e de bom grado os males da vida, e alcançou inteira e completa resignação à vontade de Deus, sustentando sua alma até à morte, contra os embates das aflições de que foi semeada a sua vida. Devemos esperar em Deus, que é a fonte de toda esperança, e jurar sobre a sua palavra, porque Ele não engana.


Ó Antônio, deixando vossa alma apossar-se destes pensamentos e praticando em vossas ações o que era conforme a eles, destes tão cabal desempenho a esta virtude da esperança, e tivestes tão firme persuasão e confiança no seu valor, que operastes por ela, em nome de Deus, muitos e muitos singulares prodígios, não só entre os homens, mas até sobre os ventos e os mares; elevastes esta virtude a tão alto grau, que nada desejastes que não conseguísseis, pela consideração firme e contemplação viva que tínheis no objeto sublime da esperança e confiança em Deus.


Exemplo


Tendo certo cidadão de Pádua, especial devoto do Santo, esperança de ter um filho de seu legítimo matrimônio, pediu-lhe com lágrimas e fervorosas súplicas esta grande mercê, que o Santo lhe concedeu, depois de provada a esterilidade de sua mulher. Quando já o menino contava sete anos de idade, brincando um dia com outros meninos caiu casualmente em um tanque que estava cheio d’água, para fazer andar um moinho que lhe ficava por baixo. O tanque arrombou, e foi tão forte a corrente que levou os meninos, sendo infalível a desgraça, se não lhes valesse auxílio sobrenatural. Sabendo da desgraça, o pai levantou a voz em tom significativo e disse: “Apareça meu filho, porque, enquanto o não tiver perto de mim, faço voto a Deus e a Santo Antônio, que mo alcançou, de não comer nem beber coisa alguma”. Nesse momento apareceu o menino com os companheiros, acompanhados de um inumerável concurso de gente. Disseram os meninos que o Santo em pessoa os detivera, conduzira a todos para fora e, lançando-lhes a bênção, desaparecera.


Máxima de Santo Antônio: “Tua caridade para com o próximo deve manifestar-se de três modos: se te ofendeu, perdoa-lhe; se se afastou do caminho da verdade, instruí-o, se tiver necessidade, socorre-o”.


Oração


Prodigioso Antônio, vós que tivestes por norma de vossos pensamentos e guia de vossas ações a virtude da esperança eterna; vós que possuístes, em vista da salvação eterna, a esperança no mais elevado grau de que são capazes os homens; consagrai, com a vossa, as minhas esperanças e elas terão a mesma firmeza e o mesmo valor. Purificai os meus conhecimentos e compreenderei que é feliz quem espera em Deus e em Suas promessas. Assim, confiado na Sua palavra, não vacilarei no meio das tribulações que me oprimem. Superiores a todos os obstáculos, meus inimigos perceberão em mim uma força oculta que lhes resiste. Imitarei assim o vosso exemplo, e a minha confiança me fará esperar a graça que peço a Deus, por vossa intercessão. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Décimo Dia -


Abstinência de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (confira o início da novena)


A abstinência é uma virtude que consiste na privação voluntária de coisas agradáveis e permitidas que nos infligimos a nós mesmos, com a intenção de nos tornarmos perfeitos. O objeto dessa virtude são todos os prazeres, cujo gozo é permitido ao nosso corpo ou ao nosso espírito, mas não pelas regras da virtude. Para ser virtude, é necessário que a abstinência não seja praticada contra a lei de Deus. Por isso, não é justa quando contradiz às leis da natureza, ou não é dirigida pela prudência porque desta forma abate as forças e abrevia os dias da existência, fim contrário à natureza, cujas produções são destinadas ao uso, mas não ao abuso.


A abstinência era a virtude dominante das primeiras idades do cristianismo: ser cristão era ser homem de abstinência, com ela subjugavam os cristãos suas paixões e adquiriam império absoluto sobre o coração.


Esses tempos felizes, vemos renovados nos preciosos dias de Santo Antônio; todos os que o viam, admiravam nele um homem mortificado e abstinente. Seu semblante pálido, mas sereno, era um anúncio feliz de sua abstinência rara; com os olhos na imagem de Deus crucificado, amoldou as suas ações por este grande exemplo. Os próprios inimigos que o tentavam, para corromper-lhe os votos, admiravam nele a constante prática desta virtude austera; abstinência por inclinação e por escolha, embora nascesse longos anos depois de tantos eremitas que, por sua abstinência, faziam florescer o deserto, como campo de lírios, não apareceu menos brilhante nem menos abstinente nas cortes tumultuosas, na solidão ou no retiro; refreava, sempre e sem cessar, os apetites desordenados e governava, como lhe parecia, todas as paixões. E eu, miserável, tão dado à gula, não serei abstinente, pelo amor de Deus?


Exemplo


Numa sexta-feira, depois de ter Santo Antônio pregado em uma grande missão, um herege convidou-o a jantar em sua casa. O Santo, talvez obrigado pela necessidade, aceitou. O mau homem, querendo arguir o Santo de hipocrisia, apresentou-lhe em um prato delicioso capão, dizendo-lhe, fingindo-se triste:


– Sei ser a sexta-feira dia de abstinência, mas, como nada mais tenha em casa para oferecer-te, deves, baseando-se nas doutrinas do divino Mestre, comer o que te puserem à frente.


Conhecendo a malícia do herege, o Santo benzeu o capão, que logo transformou-se num mimoso peixe, do qual comeu muito à vontade, quanto quis. Não notando a mudança e julgando tê-lo feito cair num embuste, apanhou o que sobrara e os ossos, e procurou o Bispo para acusar o Santo de transgredir o preceito. Grande, entretanto, foi seu pasmo, quando, descobrindo o prato, só viu nele espinhas de peixe.


Arrependido, procurou o Santo, confessou-lhe seu pecado e, convencido da santidade de suas doutrinas, entrou no grêmio da Igreja.


Máxima de Santo Antônio: “Devemos guardar os olhos, que são ladrões, que roubam a pureza do justo varão”.


Oração


Santo Antônio, vós que praticastes a virtude da abstinência com perfeição, fazei que esta virtude, no grau sublime em que a praticastes, seja por mim amada e difundida em meu coração, para que, animado dos mesmos sentimentos e desejos, refreie as minhas paixões e lhes modere a força por meio da santificação. Para conseguir vencer as dificuldades que me impedem a observância desta virtude, apartai de mim todos os obstáculos que possam tolher-lhe a prática, a fim de que, justificado pela abstinência, no grau em que o conseguistes, me habilite a gozar a vida eterna a que aspiro, recebendo a coroa da glória que Deus decretou a esta virtude no Céu, pedindo-vos alcançar-me aqui na terra o que vos peço nesta trezena.

Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Décimo Primeiro Dia -


A Castidade de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (confira o início da novena)


Desde que Santo Antônio fez o voto de perpétua virgindade aos pés do altar de Maria Santíssima, parece que a Mãe celeste dissera a seus Anjos: “Guardemos ilibada, livre da mais leve mancha, esta flor aberta”. Os Anjos obedeceram: e nós vimo-lo passar a infância livre dos perigos próprios dessa idade.


Como olharia o demônio, inimigo acérrimo da inocência, a essa angélica criatura!


Certamente previra quanto um dia iria sofrer por intermédio desse Santo, rebento dos Bulhões, por isso fazia tudo o que podia para molestá-lo. Antônio, porém, que tinha Deus no coração, não se espantava, e sabia afugentá-lo com um simples sinal da cruz.


Às vezes deleito-me na tentação, não procurando refúgio na oração, como o fazia Santo Antônio. Prometo-vos, meu querido protetor, não mais ser assim para o futuro, seguindo para sempre as vossas pegadas.


Exemplo


Certa jovem romana, pobre, mas de boa família, deixara-se enganar por um rapaz apaixonado. Repelira-o a princípio, mas seduzida depois por suas lábias e com a promessa por escrito de se casar com ela, cedera... As conseqüências não tardaram e o pai ameaçou-a de morte, se não confessasse o nome do sedutor.


Ela, certa do cumprimento da promessa, confessa tudo. O pai corre ao rapaz, e este, amável, afirma querer cumprir a sua obrigação, pedindo apenas pequena demora, para preparar tudo. O pai, receando indispô-lo, não ousou insistir em satisfação imediata. Mas passam os dias, passam semanas inteiras e... nada.


A moça reza: Santo Antônio, meu grande Santo Antônio, salvai-me! Sabeis como estou arrependida do pecado; vinde em meu socorro, antes que todos saibam da minha desonra!


Nada! A moça vai então ao tribunal da penitência, confessa-se e começa uma novena a Santo Antônio, a terminar na festa do mesmo, que estava perto.


No dia 13 de junho, o sedutor, levado pela curiosidade, entra na igreja. Deixa correr os olhos pelos lindos adornos do altar, até à imagem do Santo e, de repente, pára como que fulminado com o olhar do Santo. Movera-se a imagem, dizendo-lhe:


- Hoje mesmo repararás tua falta, senão...


Lívido, quase desfalece. Ao voltar a si, seu primeiro movimento foi fugir, mas refletiu. Que lhe adiantava fugir? Procurou, então, um confessor, correu a falar com o pai de sua vítima, fez-se acompanhar à igreja e só de lá saiu depois de casado com a jovem incauta.


Máxima de Santo Antônio: “Jesus Cristo nos deu seu Coração na cruz, por isso quis que seu lado fosse aberto".


Oração


Com a alma ferida de tantos combates, a vós me dirijo, ó glorioso taumaturgo do mundo inteiro, e de todo o coração imploro vosso auxílio, para que não caia nas mãos de meus inimigos espirituais; antes, triunfando com a oração em todas as tentações, quero manter-me fiel a Deus e merecer dele, por vossa intercessão, a salvação eterna e a graça que, com toda a força de minha alma, vos peço neste devoto exercício. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Décimo Segundo Dia -


Prudência de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (confira o início da novena)


A prudência é uma virtude rara e absolutamente necessária a todos os homens, porque é companheira das demais virtudes, que sem ela perdem o nome e a natureza. A prudência prepara o caminho para ser trilhado com segurança e vai lentamente dirigindo à perfeição. Nos atos em que a prudência age, adquire-se o testemunho da própria consciência na pureza das intenções, legitimidade de sentimentos e realidade das obrigações.


Antônio foi prudente, não ofendeu a verdade nem a justiça, em todos os acontecimentos de sua vida. Por esta virtude soube trilhar um caminho puro e conhecer qual era o que conduzia ao Céu e qual o que o apartava dele. A prudência foi uma luz, de que o espírito lhe brilhava nos sucessos mais difíceis e perigosos; por esta virtude aprendia o seu coração a regular os seus desejos, a compor as suas orações, a presidir suas empresas; com ela regia os afetos, dirigia os atos, corrigia os excessos, compunha os costumes, ornava as palavras e resistia ao artifício da ilusão e da mentira. Sem a prudência, a firmeza degenera em severidade, a doçura é uma condescendência criminosa, e o zelo é quase sempre indiscreto; mas tais eram os conhecimentos de Antônio, que, reguladas pelos sábios ditames da razão, suas correções eram sempre úteis e os avisos saudáveis. Eu entretanto não me sei guiar pela prudência; se corrijo, falto sempre à caridade; se premío, sou levado às aras da vangloria e minha condescendência indiscreta não me deixa obter os frutos desejados.


Quando, ó grande Santo, aprenderei de vós tão bela virtude?


Exemplo


Estando certa ocasião Santo Antônio pregando em uma igreja, entrou um homem que, pelos disparates e tolices que pronunciava, incomodava os que o estavam ouvindo, mostrando ser um louco confirmado.


– “Não se cansem, que não sairá daqui o distúrbio, nem entrará o sossego, sem que aquele frade (apontando para Santo Antônio, que estava no púlpito), me dê o cordão com que aperta o hábito”.


– No mesmo instante o Santo lhe atira com ele, e o homem o aperta a si, e fica logo prudente e sossegado como os outros, e com muito juízo, prestando toda atenção às doutrinas que o Santo pregava.


Máxima de Santo Antônio: “Não confiemos na glória do mundo, porque é enganadora”.


Oração


Prudente Santo Antônio , vós que em todas as ações de vossa curta vida patenteastes a pureza dos vossos costumes, a par da mais hábil prudência, com que extirpastes as grandes dissensões que dividiam os homens, conseguindo que as paixões ateadas por uma liberdade indiscreta fossem refreadas e moderadas pelo que a prudência ditava; fazei que, sendo eu vítima destas paixões, no combate com elas, procure por modelo a vossa prudência, para com ela diminuir o número dos males de que se acha juncada a carreira de meus dias. A vossa prudência seja o guia que me dirija na prática da justiça e da verdade, companheiras inseparáveis da prudência, para que, unindo-as às outras que me são necessárias, me justifique com elas perante Deus, meu Juiz, e alcance, por vosso intermédio, a graça que com tanto empenho suplico. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...


- Décimo Terceiro Dia -


Glorificação de Santo Antônio


Eu vos saúdo... (confira o início da novena)


Havia onze anos que Santo Antônio trazia as librés do serafim de Assis, quando o Céu coroou de glória e honra sua fecunda carreira. Vivera apenas trinta e seis anos, e, nesse pouco tempo, sua vida enchera-se de obras e de méritos. Não foi, entretanto, sua partida para o Reino eterno o fim de seu apostolado. Santo Antônio vive ainda entre nós com o mesmo poder que nos dias de sua existência terrestre. Jesus Cristo, para no-lo conservar, por um prodígio tocante, transformou seu túmulo numa cadeira de verdade, de onde não cessa de nos falar. Sua santa língua, que foi instrumento de tantas maravilhas, que convertera milhares de pecadores, e reunira, em torno dele, os peixes do mar para confundir nossa indiferença; essa língua, que se Fizera ouvir em todos os idiomas, como no dia de Pentecostes, que pusera em fuga os demônios, que ressuscitara mortos, consolara tantas almas, curara tantas doenças; essa língua que o Papa chamara “arca do testamento” onde Deus proferia seus oráculos e onde conservara o maná do céu, e a vara miraculosa de Moisés; essa língua, enfim, que se reduzira ao silêncio, para nos ensinar a humildade, a renúncia e a união com Deus, está realmente entre nós. Trinta e dois anos após sua morte, fez-se a trasladação das relíquias do taumaturgo. Quando se exumaram os ossos, o corpo reduzira-se a cinzas, a língua somente estava intacta, fresca e vermelha como a de um homem vivo. Em presença de fato tão extraordinário, o seráfico Boaventura, não podendo conter a emoção, tomou-a entre suas mãos e exclamou: "Ó língua bendita, que não cessastes de louvar a Deus e que O fizestes ser louvado por um número infinito de almas, vê-se agora quanto sois preciosa diante de Deus!” Depois, colocou-a em um relicário de ouro, legando-a assim à veneração dos séculos. Nada mais era necessário para crescer a devoção dos povos para com esse grande Santo. Os milagres que não cessavam um só dia, em grande número, aumentaram ainda mais.


Ó ilustre S. Antônio, arca do testamento, como devo me regozijar com vossa glória! Oh! Sim, direi com São Boaventura, é bem fácil compreender quanto sois caro a Deus, quanto O amais! Arrependo-me de não vos ter melhor conhecido. Não tenho bastante glorificado aquele que o Céu glorificou de maneira tão surpreendente. Oh! Como era justo que vossa memória não fosse enterrada no silêncio e no esquecimento, vós que não cessastes um instante de fazer conhecer e louvar a Deus, esquecendo o vosso eu; vós que trabalhastes com todas as forças para que eu participasse de vossa beatitude! Poderei dizer o mesmo de mim? Se partir agora desta terra, que deixarei após mim, senão exemplos de tibieza, infidelidade nos meus deveres, ambição, orgulho, e, quem sabe, escândalos funestos? Posso medir a extensão do mal que fiz com minha língua por maledicências, calúnias, maus conselhos, propósitos irreligiosos ou ao menos indiscretos? Que fiz para ensinar os outros a bendizer a Deus e servi-Lo? Entretanto, a tudo isso era obrigado, como cristão, por minha posição e deveres; ao menos deveria fazê-lo por meus exemplos.


Exemplo


No momento em que Santo Antônio entregava a Deus a sua bela alma, no convento de Pádua, apareceu em Vercelli, ao padre abade dos beneditinos dessa cidade. Fôra o abade seu mestre em alta teologia e na ocasião sofria cruelmente, desde muitos dias, de violento mal de garganta. S. Antônio apareceu-lhe subitamente e disse-lhe: “Padre abade, deixei minha cavalgadura em Pádua, e vou para a Pátria”. Ao mesmo tempo aproximou-se do doente, tocou-lhe a garganta, curou-o e desapareceu. O abade pensou ter recebido a visita inesperada de Antônio; espantou-se somente que fosse tão curta. Saiu imediatamente da cela, percorreu o mosteiro, perguntando aos que encontrava onde estava o padre Antônio. “Ele acaba de sair de minha cela, exclamava o abade, depois de me ter curado do mal atroz de que eu sofria”. Os religiosos não duvidaram do milagre operado na pessoa de seu pai, porque sabiam que ele estava incapaz de pronunciar uma sílaba; mas nenhum deles vira o padre Antônio. Pouco depois, o superior e os religiosos souberam que o glorioso taumaturgo morrera na tarde de 13 de junho (1231), justamente, no dia e hora em que tivera lugar a bem-aventurada aparição.


Máxima de Santo Antônio: “Aquele que se deu por nós, nos dará todas as coisas”.


Oração


Bem-aventurado Antônio, vós, cuja língua abençoada ensinou aos homens a louvar a Deus, tende piedade da minha alma! Lembrai-vos, meu Santo protetor, que não é unicamente por vós que Deus vos cobriu de tanta glória e poder; foi também por mim, para ensinar-me a recorrer a vós em todas as necessidades da alma ou do corpo, para esta vida e principalmente para a outra.


Santo Antônio, meu caro e bem amado pai, suplico-vos, tomai os interesses de minha alma, velai sobre mim nas tentações, ajudai-me nos combates, e, quando chegar o momento da morte, ficai junto de mim, para introduzir-me na morada bem-aventurada, onde poderei contemplar-vos e agradecer-vos no seio de Deus, perto de Maria, na companhia dos Anjos e de todos os Santos. Concedei-me também a graça particular que vos peço durante esta trezena. Amém


Ladainha de Santo Antônio (início desta página).

Responsório de Santo Antônio (idem). Padre-Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...