VI - O Juízo Universal - A Sentença



1 – Aos Justos


Feito o exame das consciências e revelados os pecados e as boas obras de todos, Jesus Cristo Juiz pronunciará a grande sentença que ficará para sempre. Qual será? Ei-la. Aos justos que estão à direita ele voltar-se-á com o olhar doce e benigno, e dirá: “Eis chegado o momento em que enxugarei vossas lágrimas, recompensarei vossas fadigas, premiarei vossas virtudes. Porque me servistes fielmente, vinde, ó abençoados de meu Pai; tomai posse do Reino preparado para vós desde a fundação do mundo: Tunc dicet his qui a dextris eius erunt: Venite benedicti Patris mei, possidete paratum vobis regnum a constitutione mundi (Mt 25, 34). Oh! Que alegria para os jovens que no Juízo tiverem a sorte de ouvir dirigidas a eles tais palavras! Abençoados de Deus!... Ter dele a glória imortal! Eris corona gloriae in manu Domini (Is 62, 30). Que felicidade!

2 – Aos Réprobos


Voltado em seguida para os réprobos com olhar fulmíneo dir-lhes-á: “A vós que em vida não me quisestes conhecer nem servir, que me maltratastes com as iniqüidades, que desprezastes o meu sangue... a vós a minha maldição: Fora daqui, malditos, para o fogo eterno! Tunc dicet et his quia a sinistris erunt: Discedite a me maledicti in ignum aeternum! (Mt 25, 41).


E aí eles aos montes, berrando, desesperadamente e blasfemando, cairão na voragem do inferno, e ouvirão fechar atrás de si a tremenda porta de fogo com eterno segredo. E Deus jogará as chaves da hórrida prisão no mar da eternidade.


Os justos, ao contrário, voarão alegres e bendizendo a Deus, para a eterna felicidade do Céu.


Assim terá fim o dia do Juízo Universal, que a Igreja com razão chama “dia bem grande e amargo”: Dies magna et amaris valde. E aí quem está salvo, está salvo, e quem está condenado, está condenado.

Conclusão


Dizei agora, ó queridos filhos, em que Juízo nos devemos encontrar? E que sentença será a minha? Qual a vossa? Estaremos à direita com os eleitos, ou à esquerda com os condenados? Depende de nós.

São Jerônimo e a trombeta do Juízo – S. Jerônimo († 420), grande doutor da Igreja e dos maiores penitentes, deixou todas as belezas e magnificências de Roma, para ir ocultar-se num deserto da Palestina. Ali não fazia mais do que pregar, estudar e mortificar-se com aspérrimas penitências. Amiúde tomava de uma pedra e com ela batia no peito já chagado e sangrento, pedindo a Deus piedade. Por que isto? Ele pensava sempre no Juízo Universal; e por isso aterrorizado exclamava:


- Ai de mim! A todo momento me parece ter nos ouvidos o som da trombeta que se fará ouvir no Vale de Josafá com esta fala: Surgi, ó mortos, vinde ao Juízo! Semper videtur illa tuba insonare in auribus meis: Surgite mortui, venite ad judicium! E nesse Vale qual será a minha sorte? Estarei com os eleitos ou com os réprobos? Terei a sentença da bênção ou da maldição?”.


Também S. Alberto Magno exclamava: “Toda vez que penso no dia do Juízo, tremo todo: Quoties diem Judicii cogito, toto corpore contremisco”.


Pensemos nele também nós. E se nesse grande dia vos quiserdes achar à direita entre os eleitos, ponde logo mãos à obra, remediando o passado e iniciando uma vida santa.


Ó bom Jesus, Deus de misericórdia, recordai que pela nossa salvação sofrestes tantos padecimentos e derramastes o vosso sangue: a vós rogamos ter piedade de nós.


Oh! Salvai-nos no dia do Juízo: Recordare, Jesu pie, Quod sum causa tuae viae, Ne me perdas illa die!


(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)