VI - O Juízo Universal - O Exame de Consciência



1 – A vista do Juiz


Queridas crianças, ouvistes num só exemplo como se dará o comparecimento do Juiz divino no Juízo Universal. Agora assistis ao exame de consciência.


Um olhar investigador – O rei Frederico II da Prússia (1756), durante a guerra dos 7 anos, após uma batalha vitoriosa, invernava na Saxônia. Ali um copeiro de nome Glasau deliberou matá-lo, e lhe apresentou num copo uma bebida envenenada. O rei, que havia notado qualquer coisa estranha na atitude de seu servo, fixou-o profundamente no rosto. Ante esse olhar o servo começou a tremer tão forte, que lhe cai da mão o copo. Aí confessou ao rei o assassínio que havia meditado. Eis como só o olhar penetrante de um rei bastou para fazer tremer e aniquilar um malvado.


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Ora, como deverão tremer os pecadores quando os fulminar o olhar de Deus que tudo conhece e que de tudo pedirá pormenorizadíssimas contas. Quantus tremor est futurus, Quando Judex est venturus, Cuncta stricte discussurus!


2- O Livro Aberto


Será, então, aberto o grande livro onde tudo está anotado, o bem e o mal de cada qual: Liber scriptus proferetur, In quo totum continetur. E tudo será revelado diante dos Anjos e dos homens; tudo: não só as obras, mas também os segredos do coração; pois todas as coisas são nuas e reveladas aos olhos de Deus: Omnia nuda et aberta sunt oculis eius (Hebr 4,13).


Aí Ele aclarará os esconderijos das trevas, e manifestará os conselhos dos corações (1 Cor 4,5). E tudo o que está oculto surgirá, e ninguém ficará impune.


Para os justos: Oh! Que consolo e glória, ao ouvir todas as suas boas obras, os esforços para vencer a tentação, as orações, as mortificações.


Para os maus: Que confusão e opróbrio, ao ouvir revelados todos os seus feios pecados, as imposturas, as mentiras, os furtos, as desobediências, os escândalos dados, as vinganças... os sacrilégios cometidos desde o uso inicial da razão. Eram crianças de poucos anos, e já velhos na malícia!


3 – As Desculpas


Que desculpas, então, ante as censuras de Jesus Cristo Juiz que porá diante dos pecadores todo o mal que hajam cometido?


Nabucodonosor e o rebelde Sedecias – Lê-se na História Sagrada que Nabucodonosor fez um terrível juízo de Sedecias que se rebelara contra ele. Primeiro lhe mostrou os benefícios que lhe fizera, depois lhe disse:


- Eu podia mandar-te cortar a cabeça; e, no entanto, te dei a coroa de rei. Eu podia enterrar-te numa cova, e, no entanto, te pus num trono. E tu?... Ingrato! Viraste contra mim todas as tuas forças para trair-me! Pois bem, fica sabendo que és indigno de ainda ver o meu rosto.


E imediatamente mandou arrancar-lhe os olhos, e o fez meter numa prisão, todo acorrentado. Que desculpas podia dar Sedecias?


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Também não poderão desculpar-se os pecadores no Juízo de Deus que, na presença do Universo, porá ante eles todos os seus benefícios, as suas graças, o seu sangue derramado, e todas as infidelidades e ingratidões deles. E, então, que desespero para os pecadores desgraçados que se encontrarem à esquerda! Trêmulos e berrando quererão esconder-se; mas onde?... Gritarão às montanhas: “Caí sobre nós!”, e às colinas: “Sepultai-nos!” (Lc 23,30).


Oh! Que dia haverá mais pavoroso do que este? Quantos pecadores converter-se-ão e tornar-se-ão santos ao pensar em se ver envergonhados no terrível exame que se fará nesse dia!


(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)