VII - O Inferno - Ele existe!



Os quatro estandartes – Um pintor valoroso, mas de vida má, foi escolhido por uma comunidade a fim de pintar quatro estandartes que representassem: um a Morte, outro o Juízo, o terceiro o Inferno, o quarto o Paraíso; isto é, os 4 Novíssimos. O artista, pensando no ganho e na honra, pôs toda a mestria nesses trabalhos que deviam ser expostos ao público. Mas achou uma fortuna maior do que o ganho e a honra. E eis de que modo.


Quando pintou o Inferno com as cores mais tétricas, as figuras dos condenados e demônios com as mãos pavorosas atitudes, ele próprio ficou horrorizado ao ver sua pintura. E aí se pôs a pensar: “Se prossigo na minha má vida, por certo irei para o inferno: com muitas iniquidades o tenho merecido!” Essa ideia o abalou e fê-lo chorar amargamente e o induziu a mudar de vida. Eis o ganho que ele teve.


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Pudesse eu também pintar-vos o inferno assim para fazer-vos conceber um salutar pavor; para que pudésseis livrar-vos daquele terrível lugar de tormentos. Os santos sempre pensavam nisso; e é por isso que se mantinham no serviço de Deus, longe de todo pecado. Eles praticavam a advertência do Espírito Santo: “Em qualquer ação tua lembra-te dos novíssimos, e não pecarás jamais: In omnibus operibus tuis memorare novíssima tua, et in aeternum non peccabis” (Ecl 7,40).


Façamos isso também nós, imitando Santo Agostinho, que dizia: “Desçamos (com o pensamento) vivos ao inferno, para ali não descermos realmente depois de mortos. Eis três pontos para meditar:


1 – Há inferno.

2 – Que se sofre no inferno.

3 – Quanto durará o inferno.


A Existência do Inferno


a) Verdade e Fé


O inferno é uma verdade de fé. Deus revelou-a. no Antigo Testamento falam neles Moisés, Jó, Isaías, Davi... No Novo Testamento quantas vezes é também lembrado o inferno! Jesus Cristo nos faz ouvir repetidamente essa grande verdade no Santo Evangelho. Pretendeis que Deus nos engane? Eis um fato registrado no Evangelho, que fala claramente no inferno para onde irão os maus após a morte.


O rico epulão – Havia um homem rico que se vestia de púrpura (roupas preciosas) e dava todo dia suntuosos banquetes. E havia um pobre mendigo de nome Lázaro, todo cheio de chagas, que jazia à porta daquele rico, ansioso por saciar-se com as migalhas que caíam da mesa dele; e ninguém lhas dava.


Ora, acontece que o mendigo morreu e foi levado pelos Anjos ao seio de Abraão. O rico morreu também, deixando seus aposentos dourados, e foi sepultado no inferno: Mortuus est dives, et sepultus est in inferno (Lc 16,22).


Ao se achar naquele báratro de chamas e ressequido por uma sede cruel, ergueu os olhos e viu Abraão e em seu seio Lázaro. Aí exclamou:


- Ó, pai Abraão, manda-me Lázaro com um dedo molhado n’água para refrescar-me a língua, pois estou atormentado nestas chamas.


Mas não foi atendido. Por isso tornou a suplicar:


- Ao menos manda-me à minha casa avisar aos meus parentes, para que não venham a cair também neste lugar de tormentos.


E Abraão lhe disse:


- Bem o sabem eles de Moisés e dos Profetas que há o inferno: que os ouçam (Lc 16, 19-31).


b) Os pagãos e todos os povos


Até os filósofos, historiadores e os poetas pagãos, como Platão, Hesíodo, Homero, Virgílio, em suas obras, falam do inferno, como lugar de tormentos para os maus. Todos os povos antigos e modernos, civilizados e bárbaros, de qualquer religião e de qualquer lugar da terra, tem acreditado e acreditam no inferno com suas penas eternas.


c) A própria razão nos deve convencer dessa verdade


Deus é justo: portanto deve punir o mal. Ou pretendeis que os assassinos, os ladrões, os ímpios e todos os inimigos de Deus tenham a mesma recompensa dos santos e dos mártires?


A prisão dos reis e a de Deus – Um ímpio se gabava com uns amigos seus de não crer no inferno. Um homem de bom senso, que o escutou, se ergueu para dizer:


- Olá! Credes que os reis da terra possam mandar para a cadeia os malfeitores e os patifes?


- Sim – retruca o incrédulo – e ai de nós se não houvesse prisões!


- Pois bem, Deus também, rei do universo, preparou a prisão para os que ultrajam a sua Majestade infinita: e essa prisão é o inferno. Ai de nós se não o houvesse! Deus não seria mais justo.


O ímpio aí ficou confuso.


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Até muitos incrédulos têm crido na verdade do inferno. Entre estes, o ímpio Voltaire, que negou tantas verdades de fé, deixou escrito: “Sou obrigado a dizer que o inferno existe”.


(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)