XIII – Confissão – Qualidades do propósito



Qualidades do propósito


O propósito deve ter três qualidades: deve ser firme, universal e eficaz.

1 – Firme, isto é, resoluto


Quer dizer que não bastará pronunciar apenas as palavras “proponho firmemente...”; mas que se deve ter a vontade firme de não pecar mais.


“Não mais com os cães!” – Um garoto se pôs a brincar com um cão malvado. O brinquedo durou pouco, pois o cachorro vil e traiçoeiro o mordeu. Curado da dentada, o garoto, arrependido de sua imprudência, tomou a resolução e não brincar mais com os cães, e a manteve. Eis um propósito firme!


Quem está realmente arrependido de haver ofendido a Deus, deve estar resolvido a não mais o ofender.


Propósito de zombaria – Um jovem confessou, entre outras coisas, ter-se enraivecido muitas vezes, ter blasfemado..., ter desobedecido aos pais... O confessor lhe disse:


- Estás agora decidido a não tornar mais a cometer tais pecados?


E o jovem:


- Verei... procurarei...!

- Assim não! Deves dizer: “Não farei mais!” – replicou o padre.

- Pois bem, disse o rapaz, prometo não me enraivecer mais, se aqueles maus companheiros me deixarem em paz; não blasfemar, se as coisas não me andarem ao contrário; obedecer aos meus pais, se me comprarem um cachimbo...


***


Dizei: são propósitos firmes esses? Ou são uma zombaria? Com Deus não se brinca! Deve-se prometer a Ele não pecar mais a todo custo.


2 – Universal


Quer dizer que deve compreender todos os pecados mortais, sem exceção alguma. Se alguém prometesse, por exemplo, não praticar mais tal pecado, mas que outro cometerá ainda, não teria um propósito justo, e não faria uma boa confissão.


Os ídolos de Cromásio – Cromásio, governador de Roma nos tempos do imperados Diocleciano (304), era atormentado por uma doença, e recorreu a S. Sebastião que fazia milagres, para que o curasse. S. Sebastião lhe garantiu a cura, mas sob a condição de crer em Jesus Cristo e destruir os ídolos que tinha em casa.


- Fá-lo-ei, responde Cromásio.


Mas as dores continuavam. Aí o doente se queixou a S. Sebastião, dizendo:


- Sois mentiroso! É assim que me curaste? E, no entanto, fiz o que me impusestes.


E o santo perguntou-lhe:


-Destruístes mesmo todos os ídolos?

- Realmente... não. Resta-me um que me dói destruir; agrada-me demais – respondeu Cromásio.

- Meu caro, disse o santo, é preciso destruir também esse: senão, não sarareis.


Aí Cromásio, a quem mais que tudo interessava a saúde, quebrou também tal ídolo e se achou curado.


***


Eis o que fazem alguns ao se confessar-se: propõem-se a deixar certos pecados...; mas quanto a um deles (que lhes é um ídolo querido), não se propõem emendar-se. Assim não obtém o perdão, e não saram dos males da alma.


3 – Eficaz


Que quer dizer? Quer dizer que às palavras devem acompanhar os fatos, isto é, é preciso ficar no que diz o confessor: fugir a oportunidade do pecado; reparar de modo possível os danos causados; perdoar se havia ódio; deixar certas companhias.


Dizem alguns jovens em seus propósitos: “Com aquele companheiro não cometerei mais pecados, mas deixá-lo? Não!”. Eis um laço do demônio. É preciso, pois, obedecer ao confessor e ir logo aos fatos; senão, o propósito não é bom.


Os caprichos de um doente – Um jovem caiu doente. Veio o médico e disse:


- Aqui se trata de febre causada por indigestão: é preciso tomar um purgante...

- Um purgante? Como? Não quero revolucionar todo o meu corpo! – diz o doente.

- Precisa depois, continua o médico, de rigorosa dieta, caldo, torradas e... nada mais!

- Torradas? Caldos? Mas o senhor doutor quem me fazer morrer antes do tempo?

- É preciso ainda fechar aquela janela, continuou o médico, pois o ar frio e úmido prejudica...

- Ai de mim! Devo morrer sufocado agora, disse o doente.


***


Que dizeis desse doente? Parece que tinha vontade de sarar? E, no entanto, quantos doentes há dessa espécie! São os penitentes que não querem pôr em prática as advertências do confessor que é médico das almas. Esse não tem eficaz o propósito.


Quem tem verdadeiro propósito, não negligencia os meios necessários para não recair nos pecados. Esses meios são a fuga das oportunidades, a oração, o exame de consciência frequente, a palavra de Deus e a frequência dos Sacramentos.



(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)

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