XVI – Confissão – A Acusação dos Pecados



Integridade da Confissão


Uma visão de Santa Teresa – Santa Teresa teve certa vez uma visão. Pareceu-lhe ver as almas caírem no inferno em quantidade, como cai neve na estação hibernal. Ela pergunta a Deus por que isso; e lhe foi dito que a causa da perdição de tantas almas eram as confissões mal feitas. Por isso, escrevendo esta santa a um pregador, dizia-lhe: “Padre, pregai amiúde contra as más confissões, pois é esse o laço com que o demônio pega mais almas”.


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Ouvistes? Muitos se danam porque se confessam mal. E sabeis de que modo se confessam mal? Uns porque não fazem bem o exame de consciência, outros porque não têm nem dor nem propósito; mas a maior parte porque calam os seus pecados ao confessor; ou não os manifestam bem. Eis o laço do demônio em que caem afinal tantas crianças. Para não vos deixar apanhar pelo demônio nesse laço, falar-vos-ei da acusação dos pecados, a qual deve ser completa e sincera, e tirar-vos-ei o medo que poderíeis ter ao confessar-vos.


I – Integridade da Confissão

1 – A doutrina certa


A confissão deve ser completa. Isto quer dizer que é preciso manifestar todos os pecados mortais cometidos após a última confissão bem feita, e até o momento em que se vai confessar. É doutrina certíssima que quem esquece propositalmente até um só pecado mortal à confissão, não recebe o perdão de nenhum deles, e além disso comete um sacrilégio, isto é, outro horrível pecado.


Os cadeados de uma porta – Um menino devia entrar numa casa que tinha fechada a porta com quatro cadeados. Ele abriu três cadeados, deixando um fechado. Pode esse menino entrar em casa? Não, por certo.


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Assim é quanto à confissão. Se alguém, por exemplo, tem quatro pecados mortais e confessa três deles, calando o quarto por malícia ou por vergonha, não se lhe abre a porta do perdão de Deus saindo, afinal, do confessionário tem ele na consciência cinco pecados graves: os quatro anteriores e o sacrilégio.


2 – Quando falta a integridade?


Notai bem:


Eu disse:


a) Se se cala de propósito o pecado: porque quando se cala por esquecimento (por não vir à mente), ainda assim a confissão é boa: resta apenas a obrigação de dizer esse pecado omitido, na primeira confissão que se fizer


Eu ainda disse:


b) Se se cala um pecado mortal: os pecados veniais, é bom que se manifestem à confissão, mas não há a obrigação de os confessar. A obrigação seria apenas de manifestar os pecados mortais. O pecado mortal, enfim, é quando ao cometê-lo se tratou de questão grave, e se sabia que era pecado, e havia vontade de cometê-lo. Se, afinal, os pecados são contra a pureza, em geral são sempre graves; e não apenas os de ato, mas também os de pensamento e de desejo.


3 – Como se cai no laço


Um santo esconjurava um endemoninhado e indagou que nome tinha o demônio que estava no corpo do infeliz. Retruca o demônio: “Eu me chamo Tapa-bocas, porque tenho a incumbência de tapar a boca das pessoas que se vão confessar, a fim de não dizerem os seus maiores e mais vergonhosos pecados”. Agora escutai como esse demônio tapou a boca de um pobre rapaz.


Uma vítima de Tapa-bocas – Um menino teve a desgraça de se acamaradar com um rapazola sem temor de Deus, o qual, bem de mansinho, com más conversas o induziu a cometer um feio pecado. Pobre menino! Como estava mal após aquele enorme pecado...!

Vindo a época de seus companheiros irem confessar-se, lá se foi também ele. Mas eis ali o demônio Tapa-bocas que lhe disse intimamente: “Não confesses aquele pecado, ouvistes?”. Ao passo que o Anjo da guarda lhe sugeriu: “Confessa tudo: não deixes nada para trás!”.


O jovem faz a confissão: acusa as desobediências, as mentiras, as impertinências com o mestre... mas, aquele feio pecado não sai...


O confessor lhe faz umas perguntas: “Meu filho, andastes com más companhias? Escutastes conversas feias? Fizestes coisas que não estão bem... e que fazem corar o Anjo da guarda?”. E para tudo ele responde: “Não!”. E assim recebe a absolvição. Tapa-boas triunfou!


Oh! Pobre jovem! Tem ainda todos os pecados, e além disso tem o de sacrilégio!



(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)