XVI – Confissão – Sinceridade da Confissão



II – Sinceridade da Confissão

1 – Na essência


A confissão deve ser sincera na essência. Isto significa que dos pecados se deve dizer a espécie e o número.


a) A espécie, isto é, a qualidade do pecado - Suponde neste caso. Marco Antônio, confessando-se, diz: “Tive em mente maus pensamentos, imaginei fazer mal...”. Basta que diga assim? Não. Esses pensamentos eram de vingança? Então deve dizer: “Desejei vingar-me”. Eram de furto? Então deve dizer: “Pensei na maneira de cometer furto”. O desejo de fazer mal, referia-se a coisas desonestas? Então deve especificá-lo.


b) O número – Dos pecados mortais, enfim, se deve dizer também o número; isto é, quantas vezes se cometeu esse ou aquele pecado. E se não se sabe o número preciso, diga-se o número aproximado: quantas vezes, mais ou menos, por mês, por semana, por dia.


Uma confissão não especificada – Havia uma jovem que não era nada boa. Toda vez que a mãe lhe ordenava alguma coisa, retrucava. E, afinal, palavras feias e maldades de toda espécie. Essa moça um dia vai confessar-se e diz: “Padre, fui má, desobediente... roubei, disse palavrões...”. E o confessor: “Explica-te: que desobediências? Que palavrões dissestes? Que coisas feias dissestes?”. E ela respondia: “Não sei”. “Quantas vezes?”. E ela: “Não sei”. “Faltastes à missa?”. E ela: “Às vezes”.


Era bem feita essa confissão? Vós mesmo o dizeis: “Não, não era bem feita”.



2 – Sinceridade no modo



Mas há outro laço do demônio, contra o qual é preciso precaver-se. A confissão deve ser sincera no modo, isto é, deve ser feita sem confusões e sem desculpas.


a) Sem confusões – Fazem as confusões os que dizem e desdizem; dizem mais ou menos sim e mais ou menos não; dizem um número, e depois outro...; e assim fazem, não uma confissão, mas uma confusão.


b) Sem desculpas – Nunca é preciso desculpar os pecados. Muito menos se deve dar a culpa a outrem. De todo pecado se deve dizer: mea culpa! A culpa é toda minha!


Uma confissão toda cheia de desculpas – Confessava-se certa vez um rapaz, e enfim, dizia os seus pecados; mas para todo pecado havia pronta a desculpa. “Blasfemei e soltei imprecações seis vezes, mas porque os colegas me atiravam pedras; desobedeci a meus pais, porém me mandam sempre, e nunca estão satisfeitos; conversei e ri na igreja, mesmo na hora da missa, mas era o colega vizinho que me fazia falar e rir. Eu disse à minha avó: ‘velha má!’, porque ela nunca está calada e resmunga sem parar, por força preciso responder...”. E assim por diante. Eis as desculpas. Era essa uma confissão sincera?


Quais são os pretextos e os medo que têm alguns, para não dizerem a verdade ao confessor? São ideias falsas que lhe induz o demônio, para os fazer cair nas suas armadilhas.


(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)