A Resistência Católica

Por Arsenius

 

Aquilo que se passou a designar com o nome de Resistência parece-me que nem todos têm uma ideia precisa da noção real do que ela consiste. Parece-me que muitos pensam que é um grupo de bispos, padres e leigos que se afastaram voluntariamente da Fraternidade São Pio X na qualidade de “livres atiradores”.

 

A isso convém opor os seguintes fatos esclarecedores: alguns padres da Fraternidade começaram a fazer críticas públicas a seu superior pela posição pró-acordo que este começou a manifestar. Outros membros da Fraternidade (inclusive três bispos) fizeram o mesmo, ou em particular ou em público. Comunidades religiosas amigas também manifestaram seu desacordo. O resultado foi que, mantendo-se Dom Fellay no seu propósito acordista, expulsou da Fraternidade aqueles que o criticaram publicamente (de modo especial um dos bispos sagrados por Dom Lefebvre) e rejeitou aqueles que, não pertencendo à Fraternidade, também levaram a público seu repúdio. Entre estes menciono de modo especial os Mosteiros de Nossa Senhora da Fé e o da Santa Cruz. Assim, o que deu nascimento à “Resistência” foi a “foice” de Dom Fellay, e não a vontade explícita dos “resistentes” de se separarem.

 

Agora, poder-se-ia perguntar se essa oposição pública não foi imprudente e/ou desrespeitosa. Respondo que não, apoiado na doutrina da Igreja e na história, mestra da vida. Sabemos que um superior pode e, às vezes, deve ser arguido publicamente se ele põe em perigo a fé e a salvação das almas. Sabemos, igualmente, que assim o fez São Paulo com São Pedro; Dom Lefebvre com S.S. Paulo VI e S.S. João Paulo II, para não citar muitos mais exemplos que poderia aduzir. E a atitude de Dom Fellay põe em perigo a fé e a salvação das almas? Certamente, pois o exemplo do que já aconteceu com as comunidades que se uniram com a Roma modernista mostra o perigo que essa aproximação significa: aumento progressivo de uma nova mentalidade, que não é de Deus. Em outras palavras, estamos diante de um problema de grave importância, o qual não é para ser tido em pouca conta.

 

Poder-se-ia ainda levantar uma outra objeção: depois das primeiras reações, houve outras que não tiveram como resultado a expulsão dos que se opuseram à “nova política de Menzingen”. Penso que a resposta a isso seria uma semelhança entre as atitudes de S.S. Paulo VI e S.S. João Paulo II com relação à Tradição, e as de Dom Fellay com relação aos “resistentes”. Explico-me: Paulo VI para impor as reformas conciliares, usou da punição, pois os membros da Igreja ainda tinham a cabeça bem tradicional. Mas no pontificado de João Paulo II, em que o Concílio Vaticano II já era bem aceito, pôde-se tentar “absorver” os “do contra”, sem perigo para a estabilidade da Igreja Conciliar. Assim, agora que Dom Fellay deve estar sentindo-se seguro no prosseguimento de seu intento, ele não expulsa um ou outro que se levante contra ele na Fraternidade.

 

Resta ainda deixar bem claro que a legitimidade da causa da “Resistência” não exime de haver membros da mesma que não honrem como deveriam o “movimento” ao qual pertencem. Nosso Senhor mesmo já nos advertira que em Sua Igreja sempre haveria o joio. Por isso, a existência de dissensões e coisas semelhantes não é argumento contra a atitude que julgamos ser a mais correta a ser tomada na situação crítica em que passa a família da Tradição, ou seja, opor-se publicamente ao que Dom Fellay está fazendo.

 

Ainda uma reflexão: se a “regularização” da Fraternidade se fizer de um modo “unilateral”, sem nenhuma assinatura da mesma, isso não implica consequências diferentes; o perigo continua: a aproximação com os progressistas. E a presença de reações sem, no entanto, serem públicas e/ou consequentes nos fatos, está destinada ao desaparecimento total: a diplomacia vaticana conhece bem a eficácia do fator tempo: aos poucos ele fará calar todas as vozes discordantes, pela morte, gradual mas infalível…

 

Queira Deus se utilizar dessas pobres palavras do último dos filhos Seus para ajudar alguma boa alma que procurava se esclarecer sobre esses pontos.

 

Mãe de misericórdia, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei!

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A resistência é, portanto, uma arca, um meio de continuarmos fielmente a defesa dos princípios católicos de sempre. Não podemos sacrificar a verdade em nenhuma hipótese. Non possumus!"