A crise atual

A CRISE ATUAL

I) TRAIÇÃO DOUTRINÁRIA

CONSIDERANDO

1) a) Que Dom Lefebvre disse que o maior perigo para os tradicionalistas era o de colocar-se nas mãos da Roma modernista e b) que Dom Fellay, ainda recentenmente, disse que os que querem o bem da Igreja querem que a Fraternidade São Pio X seja reconhecida oficialmente pela Roma modernista (o que é o mesmo que colocar-se nas suas mãos);

2) a) Que Dom Lefebvre disse que o que Roma está nos preparando é uma armadilha ao ofertar-nos todas as vantagens que poderíamos desejar para a regularização de nossa situação e b) que Dom Fellay disse que pensar assim atualmente é falta de realismo e de espírito sobrenatural;

3) a) Que Dom Lefebvre disse que Bento XVI (na época ainda Cardeal) procurava descristianizar o mundo e b) que Dom Fellay disse que Bento XVI leva muito a sério a situação e a vida da Igreja;

4) a) Que Dom Lefebvre disse que não podia entender-se com Bento XVI (na época ainda Cardeal) e b) que Dom Fellay está entendendo-se bastante bem com Bento XVI;

5) a) Que Dom Lefebvre disse que não devíamos colocar-nos sob a autoridade daqueles que não professam a integridade da Fé e b) que Dom Fellay disse que não querer colocarmo-nos sob a autoridade de Bento XVI (que não professa a integridade da Fé) é ter espírito cismático e sedevacantista;

6) a) Que Dom Lefebvre disse que há uma conjuração da maçonaria contra a Santa Igreja, a qual foi infiltrada por essa seita até nos mais altos graus da hierarquia e em Roma mesmo e b) que Dom Fellay não acredita ou não leva bastante a sério essas conjurações, dizendo que isso é ter uma visão da Igreja humana demais e, também, fatalista; enxergando apenas os perigos, os complôs e as dificuldades;

7) a) Que Dom Lefebvre fez um manifesto público de repúdio à reunião ecumênica de Assis, como um grave pecado do Papa contra o primeiro Mandamento de Deus e b) que Dom Fellay não fez o mesmo quando o atual Papa repetiu esse pecado em “Assis III”[1];

8) a) Que Dom Lefebvre disse que a liberdade religiosa patrocinada pelo Vaticano II é o auge da impiedade, o equivalente ao princípio do laicismo do Estado, significando o ateísmo do Estado e não levando em conta a diferença entre a verdade e o erro e b) que Dom Fellay disse que o Vaticano II apresenta uma liberdade religiosa que é muito limitada;

9) a) Que Dom Lefebvre disse que os documentos do Vaticano II constituem uma perversão total do espírito e que esse Concílio foi o maior desastre de todos os séculos, desde a fundação da Igreja e b) que Dom Fellay disse que na Fraternidade se estavam exagerando as heresias do Vaticano II;

10) a) Que Dom Lefebvre, em vista de sua experiência com os contatos com os membros do Vaticano, tomou a partir de 1988 uma posição mais intransigente no que se refere a um possível reconhecimento canônico da Fraternidade e b) que Dom Fellay ao citar Dom Lefebvre vem calando essa sua última posição, dando a entender que o pensamento de Dom Lefebvre sempre foi o de seus pronunciamentos anteriores a 1988.

JULGAMOS

Que o modo de falar e de agir de Dom Fellay constitui uma traição para com o legado doutrinal de Dom Lefebvre no que se refere à atitude a tomar diante da crise atual na Santa Igreja, e uma recusa de reconhecer, aceitar e assimilar a experiência de Dom Lefebvre em seus contatos com Roma.

NO ENTANTO

Alguns dirão que Dom Fellay se retratou dizendo que se havia enganado.

NÓS RESPONDEMOS

Dom Fellay não deixou muito claro em que ele se enganou e sua atitude para com os que não se enganaram nem o enganaram deixa-nos pensar que ele mantém, essencialmente, as mesmas posições que antes.

II) UM ESPÍRITO QUE NÃO É DEUS

CONSIDERANDO

1) Que se tem constatado que em mais de uma ocasião (como dissemos na resposta à objeção, no tópico acima) Dom Fellay tem falado e agido de maneira contraditória para alcançar seus intentos;

2) Que essa maneira de se portar com duplicidade faz perder o direito ao crédito que se deve a quem assim se porta.

JULGAMOS

1) Que o espírito que está animando a Dom Fellay não é o espírito de Deus, tanto quanto podemos e devemos julgar antes de pôr nossa confiança e nossa salvação (de certo modo) nas mãos de alguém;

2) Que ele está desmerecendo esta confiança que normalmente deveríamos ter para com ele, como sendo a maior autoridade dentro da Tradição.

III) O GOLPE DE MESTRE DE SATANÁS

CONSIDERANDO

a) Que Dom Lefebvre disse que o golpe de mestre de Satanás foi lançar todos os católicos na desobediência (à Igreja, à Tradição e, em definitivo, a Nosso Senhor) pela obediência (aos Papas conciliares) e b) que Dom Fellay está conduzindo todos os ligados à Fraternidade São Pio X à desobediência a Dom Lefebvre (e, em definitivo, à Santa Igreja, à Tradição e a Nosso Senhor) por obediência a si.

JULGAMOS

Que se lhe deve resistir e, ademais, denunciar publicamente seus desvios doutrinais, a fim de que as pessoas não continuem, enganadas, a seguirem o falso caminho pelo qual ele está conduzindo a Fraternidade: um espírito de simpatia para com o atual Papa; de diminuição da aversão ao Vaticano II; de desejo de unir-se à “Igreja Conciliar”, identificando-a com a Santa Igreja Católica; de diminuição do combate aos progressistas.

IV) REBELDIA NÃO, JUSTA RESISTÊNCIA SIM

CONSIDERANDO

1) Que os membros da Fraternidade que se opõem publicamente à nova orientação e às novas doutrinas de Dom Fellay estão sendo, por isso mesmo, expulsos da Fraternidade;

2) Que sendo essa a causa, a dita expulsão é injusta, pelo fato de ser justa a atitude desses membros;

3) Que sendo injusta, essa expulsão é inválida;

4) Que sendo inválida essa expulsão, eles continuam a ser, de direito, diante de Deus, verdadeiros membros da Fraternidade São Pio X.

JULGAMOS

Que esses membros da Fraternidade não devem ser considerados como rebeldes, mas antes, pelo contrário, como fiéis filhos de Dom Lefebvre, que diante dos Papas conciliares teve a mesma atitude que eles agora estão tendo para com Dom Fellay.

V) GRAVÍSSIMA SITUAÇÃO ATUAL DA SANTA IGREJA

CONSIDERANDO

1) Que ultimamente, nos colóquios doutrinais, viu-se a incompatibilidade da doutrina da Igreja com a doutrina dos atuais detentores da autoridade em Roma;

2) Que Bento XVI renovou em 2011 a reunião ecumênica de Assis;

3) Que Bento XVI beatificou João Paulo II;

4) Que Bento XVI em 2012 disse que toda renovação na Igreja deve ser baseada no aprofundamento dos documentos do Vaticano II;

5) Que Bento XVI assinou em 2012 o decreto das “virtudes heróicas” (?!) de Paulo VI;

6) Que o Principado de Liechtenstein no final de 2012 estava em vias de deixar de ser um Estado oficialmente católico sob pressão da doutrina do Concílio sobre a Liberdade Religiosa;

7) Que os dois sinais nos quais Dom Lefebvre reconheceu que deveria sagrar bispos mesmo sem a autorização do Papa foram a reunião ecumênica de Assis e a reafirmação, por parte de Roma, dos erros do Vaticano II acerca da liberdade religiosa.

JULGAMOS

Que a atual situação da Igreja é gravíssima, semelhante (ou pior) à em que se encontrava em 1988, diversamente do que afirma Dom Fellay.

VI) UM REMÉDIO DRÁSTICO PARA UM MAL DRÁSTICO

CONSIDERANDO

1) Que os que permanecem na Fraternidade estão na tremenda necessidade de escolher entre calar-se ou serem dela expulsos por se oporem à atual direção nela impressa por Dom Fellay;

2) Que a obra de Dom Lefebvre não deve se extinguir por causa dessa nova direção;

3) Que Dom Williamson, sozinho, não tem condições de atender a todos os apelos dos padres e fiéis em todo o mundo, para lhes administrar os Sacramentos e transmitir-lhes a sã doutrina, conforme recebeu de Dom Lefebvre;

4) Que os mesmos motivos que levaram Dom Lefebvre a fazer as sagrações de 1988 existem hoje e, portanto, justificam atualmente novas sagrações episcopais na Tradição sem autorização do Papa.

JULGAMOS

Que é da máxima conveniência que Dom Williamson proceda no momento oportuno a essas sagrações, para o bem da Santa Igreja, esperando dias melhores, em que as coisas se normalizem.

Caberá a ele definir o momento mais conveniente de o fazer.

Arsenius

[1] Lembramos que estas reuniões se sucederam regularmente, depois de 1986, a praticamente cada ano em lugares diferentes com a participação de membros da Igreja Conciliar.

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