O Mosteiro da Santa Cruz

O Mosteiro da Santa Cruz é uma comunidade religiosa beneditina fundada na cidade de Nova Friburgo, RJ, em 03 de maio de 1987, por seis monges enviados do Mosteiro de Notre Dame du Barroux, localizado na França. Desde 1988 é reconhecida como Instituição Religiosa Sem Fins Lucrativos, agindo com cada vez maior percuciência no seu entorno através das iniciativas colaborativas da instituição.

Em 1963 Dom Gérard Calvet, monge da abadia de Tournay, chegou ao Brasil para ajudar em uma fundação beneditina no sul do país. Entre as amizades que fez no Brasil para realizar a nova fundação, em nome desta Abadia, ligou-se ao escritor Gustavo Corção por uma grande afinidade de pensamento. Já nesta época, Gustavo Corção granjeou protagonismo no jornalismo brasileiro em função de sua escrita afiada e de sua precoce constatação da crise cultural e religiosa pela qual não apenas o mundo passava, mas também o Rio de Janeiro de seu tempo. Esta tentativa de D. Gérard não seguiu adiante, pois a Providência reservava outros planos para seu futuro.

 

De volta à França em 1970 e descontente com o rumo cada vez mais progressista de seu mosteiro de origem, recebe autorização para fundar “ad experimentum” uma comunidade em Bédoin, perto de Avignon: o Priorado Sainte Marie-Madeleine. As condições eram sobremaneira difíceis, como em qualquer outra fundação, mas desta vez especialmente devido às inclinações mais tradicionalistas do fundador, que acabaram entrando em choque com as determinações romanas para a doutrina, costumes e liturgia da Igreja Católica. Recorde-se que este período incendiário da década de 1970 o foi não apenas pela revolução cultural que campeava no mundo secular, mas também a "III Guerra Mundial" que desencadeava-se dentro da Igreja, implodindo altares e demolindo a Tradição católica existente.

 

A comunidade de D. Gérard tinha ainda pouco mais de três membros quando, providencialmente, estes vieram a conhecer D. Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e do Seminário de Écône, na Suíça, de quem receberam logo incentivo e preciosa ajuda. Era, portanto, a primeira fundação beneditina que se ligava à nascente FSSPX e da qual, após 1988, só restaria outra no mundo, até que novas fundações se realizassem: o Mosteiro da Santa Cruz. Rapidamente, com inúmeras vocações, vindas sobretudo dos meios tradicionalistas franceses, o mosteiro de Bédoin pôde se desenvolver e começar até mesmo sua construção definitiva, já que o antigo mosteiro abrigava-se em uma estrutura medieval que não mais seria proporcional ao afluxo de vocações e à vida contemplativa requerida pelo monastério. Desta vez, D. Gérard escolheu a localidade chamada Le Barroux, no sul da França. A chegada de doações e a cooperação de inúmeras famílias e oblatos foi fundamental para que este passo fosse tomado, assim como refletiu-se nos outros que viriam.

 

Com o gradual crescimento do Mosteiro do Barroux, Dom Gérard decide fazer uma nova fundação fora da Europa e resolve fazê-la no Brasil não só pelos laços de amizade que aqui conservara como também pela presença de dois brasileiros em sua comunidade, que poderiam proporcionar o impulso inicial para a tradição beneditina no Brasil com maior segurança. Dentre os primeiros brasileiros que chegaram ao Mosteiro de Bédoin, contava-se Dom Tomás de Aquino, jovem que por indicação de Gustavo Corção havia buscado a casa religiosa francesa a fim de discernir se seu futuro seria a vocação monástica. E foi D. Tomás o escolhido para supervisionar e coordenar a instalação da nova casa beneditina filha do Barroux.

O Mosteiro, ao longo de seus mais de trinta anos, com grandes dificuldades mas com não menos coragem e determinação, mantém em terras brasileiras sua sede, originando-se dela o Mosteiro de Notre-Dame de Bellaigue, na França, que por sua vez viria a gestar outra fundação, denominada Mosteiro de Reichenstein. Desde sua criação enviou para todo o Brasil missões e monges a fim de disseminar o bom catolicismo, bem como localmente impactou toda a região onde está instalado através de todas as ações implementadas: apicultura, meliponicultura, fabrico de velas, psicultura, plantações comerciais, instituição escolar, jornais, editora, livraria, artesanatos e etc. Este protagonismo tradicionalista no Brasil, em consonância com os trabalhos a Diocese de Campos sob a administração de Dom Castro Mayer e Dom Licínio Rangel, mantêm-se até hoje, fazendo-o referência internacional de fidelidade ao espírito monástico beneditino.

Monges rezam perante a imagem de Nossa Senhora

Filioli: diligite alterutrum.

Filhos: amem uns aos outros.

S. João XV, 17

Imagens que contam nossa história