A MORTE – Preparar-se para a morte

IV – A MORTE

Preparar-se para a morte

3- Preparar-se para a morte

3.1 – O Senhor nos adverte

“Estais preparados, porque o Filho do Homem virá na hora que não pensais: Estote parati; quia qua hora non putatis, Filius hominis veniet” (Lc 12, 40). Isto os Santos compreendiam bem, pois se conservavam sempre preparados para a morte, e por isso não a temiam.

S. Hilarião – Ainda moço, vivia na solidão do deserto. Um dia ele foi surpreendido por uns assassinos que lhe disseram de caçoada:

_ Se te assaltassem muitos ladrões, que farias?

_ Não temo os ladrões, pois não tenho nada que me possam roubar.

_ E se te tirassem a vida?

_ Não temo ser morto, porque estou sempre preparado para morrer.

S. Luís Gonzaga – Ainda no noviciado, um dia jogava bola no recreio. Um dos colegas repentinamente lhe indagou:

_ Que farias se soubesses com certeza que dentro de poucos momentos deverias morrer?

E ele sorrindo:

_ Continuaria a jogar.

Por que esta resposta? Porque o santo jovem estava sempre preparado para a morte.

3.2 – Não adiar a conversão

Ai dos que esperam converter-se quando estiverem velhos, ou estiverem para morrer, e entrementes continuam a pecar! Ai de quem espera na morte remediar confissões mal feitas, reparar comunhões sacrílegas, detestar os pecados e obter o perdão, enquanto continua a ofender a Deus gravemente! Não é isso um zombar de Deus? Não é também trata-Lo como cão? Dizei-o, como se tratam os cães? Quando comeis e o cão salta em torno de vós, dais a ele porventura o melhor bocado? Não! Dais-lhe os restos: os ossos. O mesmo fazem os que esperam converter-se na hora da morte: a Deus os restos! E contentar-se-á o Senhor? Dir-lhes-á, porém: “Agora me procurais? Nego-vos minhas graças extraordinárias e morrereis em vosso pecado” (Jo 8,21).

Três jaculatórias para a hora da morte – Havia um bandido que, depois de muitas prédicas ouvidas e muitos avisos bons recebidos, não se queria converter. A quem o admoestasse respondia ele:

_ Olhai, tenho de cor três jaculatórias, e cada qual é só de três palavras. Quando eu estiver na hora da morte, direi uma dessas jaculatórias, e ela porá minha alma a salvo. A primeira é: Miserere mei, Deus; a segunda: Tibi soli peccavi; e a terceira: Deus, propitius esto! Três brevíssimas palavrinhas.

Ora, sabeis que palavrinhas disse este desgraçado na hora da morte? Ei-las: “Rapiat omnia daemon! Vá tudo ao diabo!”. E expirou.

***

Oh! Como são cegos os que andam a dizer: “Por fim, arranjaremos a coisa; com uma pancada no peito, com um suspiro… teremos o Paraíso à mão!”

Mas quem o garante?

3.3 – Como é a vida, assim costuma ser a morte

Quem leva má vida, geralmente tem morte má. Quando se corta uma árvore, de que lado ela cai? Para onde pende. Se pende para a direita, cai para a direita; se pende para a esquerda, cai para a esquerda. Os pecadores são como as árvores que pendem para a esquerda, e tendem para o inferno. Por isso é péssima a sua morte: Mors peccatorum péssima (Sl 33,11). E seus dias serão abreviados (Prov 10,27). Porque o pecado é o aguilhão da morte (1 Cor 15,56). Por isso nos adverte o Senhor: “Evita pecar muito, para não vires a morrer antes de seu tempo (Ecl 7,18). Quanto têm morrido não preparados e antes do seu tempo! E morrendo exclamaram: “Assim, pois, me separa a morte amarga?” (1 Rs 15,32).

Ai de mim! Aí cheguei!  –  Um homem de vida desregrada, chegando a hora de morrer, foi avisado de que tudo havia acabado para ele, e foi exortado a confessar-se e a receber o S. Viático. Ao ouvir a antífona dolorosa, chorando exclamou:

_ Ai de mim! Aí cheguei, e jamais pensei nisso!

Os amigos e parentes procuravam confortá-lo e induzi-lo a receber os Sacramentos; e ele não dava outra resposta senão esta: “Aí cheguei e jamais pensei nisso!”. E tremia todo. O desgraçado, que se via vedado o Paraíso e aberto o inferno, morreu sem esperança.

(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

do original La Parola di Dio per Via D’Esempi)