A vida em um mosteiro beneditino

A VIDA DE UM MOSTEIRO BENEDITINO

Nosso Bem-aventurado Pai São Bento indica em sua Regra o critério fundamental da vocação monástica: si vere Deum quaerit, isto é, se aquele que bate à porta do mosteiro procura verdadeiramente a Deus.

É essa procura de Deus que condiciona e explica todas as observâncias monásticas e estabelece o contraste entre o mundo e o mosteiro: no mosteiro, o ofício divino, a obediência e os opróbrios, como diz São Bento, e no mundo, sobretudo no mundo atual, o descaso pelo seu culto verdadeiro, a desobediência à Sua lei e o orgulho, que faz os homens fugirem da cruz de Nosso Senhor sem se darem conta que encontrarão outra bem mais pesada, pois só o jugo de Nosso Senhor é leve e só o Seu fardo é suave.

Mas para adaptar-se à uma vida que apresenta tantos contrastes com a vida do mundo tanto quanto ao espírito como quanto às práticas externas, a Santa Regra e o Direito Canônico estabeleceram etapas através das quais o candidato vai tomando conhecimento aos poucos da vida e costumes monásticos e os superiores vão, por sua vez, examinando o mesmo, para ver não só se ele procura verdadeiramente a Deus, mas também se ele tem as aptidões necessárias para o nosso gênero de vida.

Após um primeiro contato com o superior, o futuro candidato se instala na hospedaria, e durante cerca de cinco dias observa os costumes da casa, e conversa com o mesmo superior, para se ver se tem as aptidões mínimas necessárias. Sendo aceito, entra no postulantado, que dura cerca de seis meses, onde vai sendo educado nos costumes monásticos.

Transcorrido o postulantado, em uma cerimônia de vestição, a pessoa troca a roupa do século pelo hábito religioso e muda o seu nome civil para um nome de religião. Inicia-se então o noviciado que dura dois anos, no fim dos quais o noviço fará os votos temporários de pobreza, castidade, obediência e estabilidade no mosteiro. Sendo agora já um monge professo (temporário), este continua no exercício das virtudes cristãs por um período de três anos, findos os quais poderá renová-los por mais três anos ou emitir os votos perpétuos, conforme o superior da casa achar conveniente.

Podemos dizer que no mosteiro há três classes de monges: irmãos conversos, irmãos de coro que não são padres e irmãos de coro que são padres.

Os irmãos conversos dedicam-se mais ao trabalho manual, não tendo obrigação de assistência ao coro.

Os irmãos de coro não padres, ao contrário, têm uma carga horária de trabalho manual um pouco menor, porém têm a obrigação de ir ao coro, para a recitação do ofício divino.

Os irmãos de coro que são padres, são em tudo semelhantes à classe anterior, porém acrescidos da dignidade do sacerdócio, pela qual devem celebrar a Santa Missa e confessar, quando designados para isso.

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