Novena aos Santos Anjos, por São João Bosco - Dia 06



SEXTA CONSIDERAÇÃO


A especial assistência dos anjos nas tribulações


É no fogo que o ouro purifica-se e adquire seu brilho. As manchas das tribulações cobrem

a terra inteira, e cada um de nós tem a sua consigo. Todos os eleitos têm de passar por este forno de purificação, e nele podem penetrar corajosamente se tomarem a precaução de não entrarem sozinhos, mas acompanhados por seu Anjo da Guarda. Na fornalha de Babilônia somente os três jovens pareceram entrar, mas lá se encontraram em companhia de um anjo bom, que fez com que o fogo só queimasse as cordas que os amarravam, ao passo que eles livremente passeavam por meio das chamas, das quais saíram com as roupas e o corpo absolutamente intactos (Cf. Daniel 3).


Assim procede também o bom Anjo para conosco em nossas aflições. Faz com que se

consumam somente as amarras dos vícios, que nos manteriam apegados à terra, enquanto as vestes das virtudes nada sofrem; ao contrário, saem mais preciosas e apuradas. Além disso ele infunde em nosso coração um doce consolo, para que ofereçamos com amor nossas penas a Deus, derramemos lágrimas sobre nossas faltas passadas, ou ainda para que tomemos a firme resolução de levar uma vida mais santa e menos desordenada. Oh! quantas almas aperfeiçoam-se no fogo das tribulações! E em seguida o Anjo bom apresenta estas almas já purificadas a Deus, fazendo-as exclamar cheias de júbilo com o Profeta: "Vós quereis, Senhor, submeter-me à prova do fogo e eu Vos agradeço, porque depois de tal prova não encontrarei mais em mim a iniquidade de antanho" (Cf. Salmo 16, 3). Feliz e bem-aventurado aquele que com doce confiança conversa assim com seu Anjo, escutando sua voz e seguindo seus conselhos! Oh! que grande feito de virtude e de mérito! Oh! que belo triunfo do Santo Custódio sobre o inimigo! O espírito maligno não pode deixar de se queimar de raiva ao ver nossas lágrimas transformadas pelo Anjo da Guarda em pérolas preciosas, e também seu rancor convertido em instrumento nosso para a felicidade eterna.


Oh! meu querido Anjo da Guarda, Vós que sabeis tão bem fazer com que toda tribulação

termine em vossa alegria e meu bem, para o furor do infernal inimigo, dignai-Vos não me

abandonar nas horas de maior necessidade. Fazei que minha paciência nunca se deixe vencer pela dor, dissipai minhas trevas com vossas luzes e abrandai minhas angústias com vossas consolações, de modo que eu saiba bendizer as cruzes que Deus me envia e possa gozar de perfeita felicidade no céu pelos séculos dos séculos.


PRÁTICA


Nos aborrecimentos que necessariamente se encontram no trato com os demais, especial

mente se são pessoas de índole e de costume diferentes dos vossos, animai-vos a suportá-los, pensando que depois podereis gozar sem fim da companhia dos santos no céu.


EXEMPLO


É uma grande lição para nós o consolo que o Anjo da Guarda proporcionou à santa virgem

Liduvina durante sua longa e grave doença, contraída aos dez anos de idade. Febres muito altas, dores agudíssimas, chagas por toda a parte, úlceras e até mesmo a putrefação

fizeram dela um verdadeiro retrato de Jó. No início ela parecia um tanto desalentada, mas recorrendo ao seu Anjo da Guarda encontrou toda sorte de consolos, mesmo com frequentes aparições. "Não há nada tão amargo, dizia, que não se torne doce quando contemplo meu Anjo e penso em suas palavras. Ele é tão lindo que se Deus não me conservasse viva a fim de padecer por seu amor, eu morreria de felicidade simplesmente ao vê-lo. Um simples olhar seu me arrancaria alma e o coração do peito". A doença de Liduvina durou mais de trinta e oito anos, com um corpo roído por vermes que a desfiguravam, mas encorajada por seu Anjo da Guarda, que sem cessar lhe colocava ante os olhos a dolorosa paixão do Salvador e o prêmio eterno que por tais tormentos haveria de receber, ela tudo sofria corajosamente. Todas as suas tribulações e dores contribuíram para aumentar constantemente sua pureza e santidade.