VII - O Inferno - A Eternidade das Penas



1 – É palavra de Deus


Por quanto tempo estarão os condenados nesses tormentos? Cem anos, mil anos? Anos?! Séculos então?! Mas que séculos! Então até quando? Para sempre! À porta do inferno está escrito: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais!”.


Essa é a prisão onde há o sempiterno horror (Jó 10,22). Jesus Cristo diz dos réprobos: “Eles irão para o suplício eterno” (Mt 25,46). De lá então não sairão nunca (Mc 9,45). Durarão sempre as terríveis penas da condenação.


Diz o profeta Malaquias: “Os condenados serão por toda a eternidade” (Mal 1,4). Gostariam os condenados de ser aniquilados, e invocarão a segunda morte; a morte fugirá deles para sempre (Apc 9,6).


2 – Como conceber a ideia disso?


A eternidade! Como apavora esta palavra! E quem pode fazer uma ideia dela? Quando tiverem passado tantos milhões de anos e de séculos quantas são as estrelas do céu, as areias do mar e as gotas d’água do oceano, começarão os tormentos do inferno.


Imaginai um punhado de areia finíssima; contai em seguida todos os grãozinhos. É uma tarefa de fazer ficar louco! E se dessa areia fina se enchesse esta Igreja? E o mundo todo...? Quem pode contar os milhões de grãozinhos? Agora suponde que um pássaro tire um grãozinho cada século... Pois bem, chegará o dia em que o pássaro terá levado a todos, e o inferno estará no começo! Essa ideia fazia tremer o rei Davi que dizia: “Tenho sempre em mente os dias antigos e os anos eternos: Cogitavi dies antiquos et anos aeternos in mente habui” (Sl 76,6).


3 – As coisas que duram muito, cansam


Embora agradáveis, tornam-se tormentos. Se uma música durasse demais, não se quereria mais ouvi-la. E as penas que durarão eternamente?


Estirado numa cama – Um rapazola de má vida estirava-se moribundo numa cama e dizia para si: “Está-se tão bem aqui!”. Mas depois pensou: “Se eu devesse ficar imóvel aqui uma semana? Um mês? E se essa cama fosse dura? De lâminas cortantes? De fogo? E no inferno? Por uma eternidade???”


Ante esse pensamento (que era uma graça do Senhor) ele ficou aterrorizado; mandou chamar o sacerdote, e, após uma boa confissão, converteu-se.


“Sempre! Jamais!” – O Ven. João d’Ávila (+1569), desejando converter uma pecadora escandalosa, disse-lhe:


- Ide para casa, trancai-vos num quarto, e ali pensai no inferno, repetindo estas palavras: “Sempre! Jamais!”, porém pensai seriamente.


A mulher fez como disse o santo homem e mudou de vida.


Conclusão


Ah! Que coisa terrível será danar-se, e cair nas mãos do Deus vivo! Vede, no entanto, quantos nem pensam nisso, e correm disparados e rindo para o inferno! Di-lo Jesus Cristo: “Larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são aqueles que ali entram (Mt 7,13). Quantos pecadores estão à beira desse abismo!


Se vísseis um rapaz, colega vosso, com o corpo todo de fora a pender da abóbada desta igreja e a manter-se segurando com uma das mãos numa cordinha, que diríeis em vosso coração? “Ai de mim! Agora cai!”. E por ele bater-vos-ia o coração, enquanto alguém com a escada não o pusesse a salvo. Pois bem, o pecador está com o corpo e com a alma suspenso sobre o inferno, e se mantém numa teia de aranha. Sim, é de se dizer dele com pavor: “Agora cai!”.


Dizia São João Crisóstomo a uns pecadores: “Se eu soubesse que um de vós está para jogar um cãozinho no fogo de uma pavorosa fornalha, interpor-me-ia para o dissuadir da cruel ideia. Ora, ao ver aqui alguns que, cheios de pecados, se jogam a si próprios no inferno... para trás, por caridade! Ouvi o que diz o Senhor: “Qual de vós poderá morar naquele fogo devorador?” (Is 33,14).


Pensai nisso, afinal, e resolvei.


Ó Jesus, Divino Redentor, que desejais salvos a todos nós, nós vos pedimos perdão dos nossos pecados com os quais merecemos o inferno.


Diremos também nós com Santo Agostinho: “Castigai-nos neste mundo com aflições; mas não nos mandeis para o inferno!”.


Querido Jesus, nós queremos servir-vos fielmente, para ao contrário termos o Paraíso que esperamos de vossa bondade infinita.


(Extraído do livro A Palavra de Deus em Exemplos, G. Montarino,

Do original La Parole di Dio per la Via d’Esempi)